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TACO, TBCA, IBGE ou USDA: por que o mesmo alimento tem valores diferentes em cada tabela

O que faz a mesma comida ter kcal diferente em cada tabela de composição, para que serve cada base e como escolher uma principal sem misturar dado de origens diferentes.

Você busca “arroz cozido” na base de alimentos e voltam três resultados com calorias diferentes. A reação automática é escolher o do meio, ou o da tabela que parece mais séria, e seguir em frente.

Vale gastar dois minutos entendendo por que os números divergem, porque a explicação resolve uma classe inteira de erros — inclusive alguns que fazem um cardápio inteiro sair com trezentas quilocalorias a mais sem ninguém perceber.

Nenhuma das tabelas está errada. Elas estão respondendo perguntas ligeiramente diferentes.

Quatro coisas mudam o número

A amostra. Composição de alimento não é constante. Solo, cultivar, clima, safra, ração do animal, tempo de armazenamento e marca mudam o que existe dentro da comida. Cada tabela publica o que encontrou nas amostras que coletou, num lugar e num momento. Um feijão-carioca analisado no Paraná e outro analisado em Minas são o mesmo alimento no nome e não são o mesmo alimento no laboratório.

O método analítico. Aqui está a diferença que menos aparece e mais explica. Proteína medida por nitrogênio total e multiplicada por um fator de conversão não dá o mesmo resultado que proteína medida pela soma dos aminoácidos. Carboidrato calculado “por diferença” — o que sobra depois de descontar água, proteína, gordura, cinzas e às vezes fibra — absorve todo o erro analítico das outras frações, e muda conforme a fibra entre ou não na conta. As calorias, por sua vez, saem de fatores de conversão aplicados a esses macros. Métodos diferentes, números diferentes, os dois corretos dentro do próprio método.

O estado do alimento. Cru, cozido, frito, assado, com casca, sem casca, com osso, sem osso. É a maior fonte de erro de uso, e tem seção própria abaixo.

O ano da coleta. Produto industrializado é reformulado. Cultivar é substituído. Método analítico é atualizado. Uma tabela publicada há vinte anos descreve fielmente o alimento de vinte anos atrás.

O estado do alimento explica a maior parte da diferença

Duas contas, construídas aqui como exemplo para mostrar o mecanismo — os valores exatos você confere na tabela que estiver usando.

Cru não é cozido. Suponha um arroz que, cru, tenha 350 kcal por 100 g. Cozido, ele absorve água: 100 g de grão cru rendem cerca de 250 g de arroz pronto. A energia não mudou — continuam sendo 350 kcal —, mas agora estão distribuídas em 250 gramas. Por 100 g de arroz cozido, isso dá 140 kcal.

Prescrever 100 g de arroz cozido usando o valor do cru infla aquele item em duas vezes e meia. Numa refeição, é um erro grande. Repetido no almoço e no jantar de um cardápio inteiro, deixa de ser detalhe.

Casca, osso e o resto do peso bruto. Uma banana de 120 g com casca tem por volta de 78 g de polpa. Se a tabela informa a composição por 100 g de parte comestível e você usa os 120 g da fruta inteira, o item entra no cardápio inflado em mais de 50%.

A regra que resolve os dois casos é a mesma: leia o nome completo do item na tabela antes de usar o número. Tabelas boas descrevem o estado no próprio nome — “cru”, “cozido”, “sem casca”, “grelhado” — e essa palavra vale mais que o valor que vem depois dela.

O que cada base cobre

As cinco origens que aparecem na Base de Alimentos do SimpleNutri, e a que cada uma serve melhor:

Etiqueta Para que ela é boa
TACO Alimento brasileiro in natura e preparação clássica
TBCA Base ampla, com mais itens processados e preparações
IBGE Alimentos do jeito que são consumidos no Brasil
USDA Extensão de itens e detalhe de micronutrientes
TUCUNDUVA Composição organizada por porções e medidas caseiras

A TACO, da Unicamp, é a referência mais usada no país para alimento in natura e preparação básica — quando o assunto é feijão, farinha, carne bovina de corte brasileiro, ela descreve melhor a realidade do prato daqui.

A TBCA, da USP, é uma base ampla e cobre um território que a TACO cobre pouco: alimentos processados e preparações. Quando o item existe nas duas, os números costumam ser próximos sem serem idênticos, e a razão é a das seções acima.

As tabelas do IBGE nasceram vinculadas à pesquisa de consumo domiciliar, e é isso que as torna úteis: elas descrevem alimentos e preparações como aparecem na mesa brasileira, não como aparecem no laboratório.

A USDA é a mais extensa em número de itens e a mais detalhada em micronutrientes. Ela resolve quando você precisa de um nutriente que as brasileiras não trazem. E ela não resolve quando o alimento é brasileiro e específico, porque a amostra é de outro país, com outro solo e outra cadeia produtiva.

A tabela de Sonia Tucunduva Philippi tem uma vantagem prática distinta: a organização por porções e medidas caseiras, que é a linguagem em que o paciente come.

Uma base principal, e as outras só para o buraco

A decisão que economiza mais trabalho é essa, e ela tem duas partes.

Escolha uma base principal e use-a por padrão. Para consultório brasileiro atendendo alimentação brasileira, uma das tabelas nacionais. Não porque as outras sejam piores, mas porque consistência vale mais que otimização item a item.

Recorra a outra base só para o que a principal não tem. Um micronutriente específico, um produto industrializado, um item que simplesmente não está lá. Nesses casos, use e registre.

E uma regra que não tem exceção útil: nunca troque a origem do mesmo alimento no meio de um acompanhamento. Se o feijão do primeiro cardápio veio de uma tabela e o do quarto veio de outra, a diferença aparece no total do dia e você vai atribuí-la ao paciente. É o mesmo raciocínio que faz trocar a fórmula de TMB no meio do acompanhamento produzir variação que não veio de ninguém.

Você não corrige a TACO, você duplica

Esta é a fonte de dúvida número um de quem começa a usar uma base de alimentos dentro de um software: por que não dá para arrumar um valor que você sabe que está diferente do seu.

A resposta é que alimentos com a etiqueta Sistema são somente leitura. A ficha abre como Visualizar Alimento, com todos os campos preenchidos e bloqueados, e os botões Editar e Excluir ficam desabilitados. Vale para as cinco origens. Se a operação chegar ao servidor por outro caminho, a resposta é Alimentos do sistema não podem ser editados.

Isso é proteção, não teimosia. Uma tabela oficial editável deixa de ser uma referência: dois meses depois ninguém sabe mais se aquele valor é o publicado ou o que alguém ajustou numa quinta-feira corrida.

O caminho é Duplicar, o ícone dos dois quadrados no card. A cópia nasce como alimento personalizado seu, com o nome original seguido de (Cópia), levando macros, detalhamento de gorduras e micronutrientes. O código de barras não é copiado, de propósito. Aí sim você edita — abrindo pelo nome do alimento, porque o ícone de lápis no card leva para um endereço que não existe no aplicativo. O detalhe está em a base de alimentos.

Quando cadastrar alimento próprio

Três casos justificam o cadastro, e fora deles procurar melhor na base costuma ser mais rápido.

Produto industrializado de marca. É o território que as tabelas oficiais cobrem pior, e onde o paciente vive: o iogurte específico, o pão específico, o whey específico. A fonte aqui é o rótulo.

Preparação da casa que se repete. O arroz temperado do jeito que a família faz, a marmita padrão de segunda a sexta, o bolo que aparece em vários cardápios. Vale fichar quando a preparação reaparece em mais de um paciente; não vale quando é um caso isolado.

Item regional que não está em tabela nenhuma. Existe bastante coisa assim, e é aqui que a base pessoal de quem atende há alguns anos vira patrimônio.

Do rótulo ao cadastro

  1. Anote a porção do rótulo

    O peso em gramas da porção e os valores que vêm com ela. Rótulo brasileiro quase sempre informa por porção, não por 100 g.

  2. Converta para 100 g

    Divida cada valor pelo peso da porção e multiplique por 100. Uma porção de 50 g com 130 kcal vira 260 kcal por 100 g.

  3. Cadastre em Alimentos, Novo Alimento

    Seis campos travam o salvamento: nome, categoria, calorias, proteínas, carboidratos e gorduras totais. Troque a categoria, que já vem como Outros.

  4. Cadastre a porção original como medida caseira

    Em Medidas Caseiras, a descrição que o paciente entende e quantas gramas ela tem. Depois disso, um clique preenche o peso na hora de montar o cardápio.

O passo 2 é onde nasce a maior parte dos cadastros errados. O SimpleNutri interpreta todos os valores como sendo por 100 gramas, e não existe validação que perceba valores de porção digitados no lugar. O alimento salva normalmente, entra no cardápio e o total do dia sai errado em silêncio. Uma conferência de dois segundos resolve: alimento seco e calórico raramente fica abaixo de 300 kcal por 100 g, e verdura raramente passa de 50. O passo a passo completo está em como cadastrar um alimento personalizado.

Uma limitação honesta antes de você começar a fichar preparações: o SimpleNutri não calcula receita a partir dos ingredientes. Você pesa o resultado final, faz a conta da composição por 100 g da preparação pronta e cadastra o resultado. O sistema guarda o número, não o produz.

A tabela certa é a que você consegue repetir

Se você tirar uma coisa daqui, tire esta: a diferença entre duas tabelas boas é menor que a diferença entre usar uma tabela com critério e usar quatro sem critério.

Escolha a principal. Registre a origem do que fugir dela. Leia o estado do alimento antes do número. E não troque a fonte do mesmo item no meio de um acompanhamento — porque, na hora de explicar ao paciente por que o cardápio novo tem duzentas quilocalorias a mais, “eu mudei de tabela” é uma resposta que você prefere não ter que dar.

Perguntas frequentes

Por que a TACO e a TBCA mostram valores diferentes para o mesmo alimento?

Porque analisaram amostras diferentes, muitas vezes com método e época diferentes. Composição de alimento varia com solo, cultivar, ração, região, safra e processamento, e cada tabela publica o que mediu na amostra que coletou. Some a isso diferenças de método analítico e de estado do alimento — cru ou cozido, com ou sem casca — e a divergência deixa de ser erro e vira informação sobre a origem do dado.

Qual tabela de composição de alimentos devo usar?

Escolha uma base principal e seja consistente. Para alimento brasileiro in natura e preparação clássica, as tabelas brasileiras descrevem melhor a realidade do que a americana. Recorra a outra base só para o que a principal não tem, como um micronutriente específico ou um item industrializado. O que estraga o trabalho não é escolher a tabela menos ideal, é trocar de tabela a cada alimento sem registrar.

Posso misturar tabelas diferentes no mesmo cardápio?

Pode, e às vezes não há alternativa, mas com duas condições. A primeira é nunca usar duas origens para o mesmo alimento em momentos diferentes do acompanhamento, porque a variação vira ruído na série. A segunda é registrar de onde veio cada dado que não é da sua base principal, para que seis meses depois você saiba por que aquele número destoa.

Os valores da tabela são do alimento cru ou cozido?

Depende do item, e a tabela informa isso no nome. É a maior fonte de erro de quem consulta com pressa. Alimento que absorve água na cocção, como arroz, macarrão e feijão, muda muito de densidade energética: o mesmo grão cru pode ter mais que o dobro de kcal por 100 gramas em relação ao cozido. Confira sempre o estado descrito antes de usar o valor.

Por que não consigo editar um alimento da TACO no SimpleNutri?

Porque alimentos com a etiqueta Sistema são somente leitura. A ficha abre como Visualizar Alimento, com os campos preenchidos e bloqueados, e vale para TACO, TBCA, IBGE, USDA e TUCUNDUVA. Se você precisa de uma versão com valores diferentes, clique no ícone Duplicar na lista: a cópia nasce como alimento personalizado seu, editável, com o nome original seguido de Cópia.

Quando vale a pena cadastrar um alimento próprio?

Em três situações. Produto industrializado de marca, porque as tabelas oficiais cobrem mal esse território e o rótulo é a fonte. Preparação da sua casa ou da casa do paciente, quando ela se repete em vários cardápios. E item regional que não aparece em tabela nenhuma. Fora desses casos, procurar melhor na base costuma ser mais rápido que cadastrar.

Os valores nutricionais no SimpleNutri são por porção ou por 100 g?

Sempre por 100 gramas, tanto na consulta quanto no cadastro de alimento personalizado. O rótulo brasileiro quase sempre informa por porção, então é preciso converter antes de digitar: divida cada valor pelo peso da porção e multiplique por 100. Não existe validação que perceba valores de porção digitados como se fossem por 100 g — o alimento salva e o cardápio sai errado sem aviso.

Se eu corrigir os valores de um alimento, os cardápios já montados mudam?

Sim. Os totais dos planos alimentares são calculados a partir da composição atual do alimento, então corrigir um valor recalcula todos os cardápios que usam aquele item. Isso é ótimo para consertar um erro e arriscado para adaptar um alimento a um paciente específico. Nesse segundo caso, o caminho certo é duplicar o alimento e editar a cópia.

Como sei de qual tabela veio um alimento no SimpleNutri?

Pela etiqueta de origem que aparece no card, ao lado da categoria: TACO, TBCA, IBGE, USDA ou TUCUNDUVA. O filtro de origem permite isolar uma tabela de cada vez. Alimentos cadastrados por você não recebem etiqueta de origem, então a procedência precisa estar no nome ou no campo Marca, que também é varrido pela busca.

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Perguntas frequentes

Vale a pena para nutricionista aceitar convênio?Como saber, na anamnese, se o plano vai caber na rotina do paciente?Qual a diferença entre formulário de pré-consulta e de anamnese?Quantas vezes devo repetir cada medida?O paciente registra o próprio peso no portal do SimpleNutri?O paciente recebe aviso quando eu clico em Entregar Cardápio?

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