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Harris-Benedict, Mifflin ou FAO: qual fórmula de TMB usar e onde a conta do gasto energético mais erra

Como escolher o protocolo de TMB pelo dado que você tem, por que equações diferentes devolvem números diferentes e por que o fator de atividade erra mais que a fórmula.

A pergunta aparece em todo grupo de nutricionista: qual é a fórmula certa de TMB. Ela vem com a expectativa de que exista uma resposta única, e é essa expectativa que trava a decisão.

Toda equação de taxa metabólica basal é uma estimativa. Foi construída medindo o gasto de um grupo de pessoas em calorimetria e ajustando uma reta que explicasse aqueles números a partir de peso, altura, idade, sexo ou massa magra. O que sai da conta é o comportamento médio daquele grupo aplicado ao seu paciente, com o erro que isso carrega.

A pergunta útil, então, é outra: qual equação foi construída com gente parecida com quem está sentado na sua frente, e qual delas você consegue alimentar com dado em que confia.

O que separa os protocolos é o que eles exigem de você

Todas as opções que você encontra em software se dividem em três famílias, e a divisão não é por precisão — é por exigência de dado.

As que usam peso total. Harris-Benedict na versão original e na revisada, Mifflin-St Jeor, Schofield, as equações de FAO/OMS e a de Tinsley por peso. Elas pedem peso, altura, idade e sexo, ou seja, o que você tem no fim da primeira avaliação antropométrica. Ficam disponíveis desde o primeiro atendimento.

As que usam massa livre de gordura. Cunningham, Katch-McArdle e a de Tinsley por massa magra. O argumento a favor delas é bom: o tecido metabolicamente ativo é o que gasta, então partir dele deveria estimar melhor. O argumento contra é prático — elas herdam o erro da sua medida de composição corporal. Uma dobra cutânea tomada com pressa, com o adipômetro no ponto errado, vira um percentual de gordura errado, que vira uma massa magra errada, que vira um gasto energético errado. E o número sai com a mesma cara de precisão do outro.

As que estimam a energia total direto. As equações de requerimento energético estimado não calculam metabolismo basal: entregam o gasto do dia inteiro, com a atividade já dentro. Usar um fator de atividade por cima delas é contar a mesma coisa duas vezes.

No SimpleNutri, essa divisão está visível na própria tela. A aba Gasto Energético oferece doze protocolos, e os três que dependem de composição corporal aparecem com o sufixo (requer comp. corporal) e ficam bloqueados enquanto não houver percentual de gordura ou massa magra calculados. É uma ordem imposta pela ferramenta, e ela ajuda: você não escolhe Katch-McArdle antes de ter medido as dobras.

A mesma pessoa, cinco protocolos, cinco números

Vale ver o tamanho da divergência antes de perder o sono com ela. Suponha uma paciente de 35 anos, 68 kg, 1,65 m, com 30% de gordura corporal — o que dá 47,6 kg de massa magra. Os números abaixo são um exemplo construído para mostrar a ordem de grandeza, não uma tabela de referência.

Protocolo TMB estimada
Mifflin-St Jeor 1.375 kcal
Katch-McArdle 1.398 kcal
FAO/OMS 1.421 kcal
Harris-Benedict revisada 1.436 kcal
Cunningham 1.547 kcal

Do menor ao maior vão 172 kcal, pouco mais de 12%. Nenhuma delas está errada. Cada uma responde a mesma pergunta a partir de uma amostra diferente, e a distância entre elas é a incerteza honesta do método.

Guarde esse 172. Ele é a régua do resto do texto.

O erro que multiplica: o fator de atividade

A TMB é só o começo. O número que vai para o planejamento alimentar é o gasto total, e ele nasce de uma multiplicação. Os cinco níveis e seus multiplicadores, aplicados à menor TMB da tabela acima:

Nível de atividade Multiplicador GET
Sedentário 1,2 1.650 kcal
Levemente Ativo 1,375 1.891 kcal
Moderadamente Ativo 1,55 2.131 kcal
Muito Ativo 1,725 2.372 kcal
Extremamente Ativo 1,9 2.613 kcal

Um degrau de diferença entre Levemente Ativo e Moderadamente Ativo muda o resultado em 240 kcal. Dois degraus mudam em 481. A escolha da equação mudou 172.

Ou seja: o dado mais frágil da cadeia é o que tem o maior peso no resultado. E ele costuma ser definido por uma frase — “eu faço academia”, “eu ando bastante”, “eu sou parada” — que significa coisas completamente diferentes de uma pessoa para outra.

Como reduzir o chute do fator de atividade

  1. Comece pela ocupação, não pelo treino

    O que a pessoa faz das 8h às 18h pesa mais no gasto do que uma hora de exercício. Entregador, professora de educação física e alguém que trabalha sentado em casa não começam no mesmo degrau.

  2. Peça número, não adjetivo

    Quantas vezes por semana, quantos minutos por sessão e o que acontece na sessão. "Treino pesado" não é informação; "musculação, 50 minutos, quatro vezes por semana" é.

  3. Decida onde o exercício vai entrar

    Ou ele está representado no fator de nível de atividade, ou aparece como atividade somada por fora. Nos dois lugares, o gasto é contado duas vezes.

  4. Registre o critério que você usou

    Escreva no prontuário por que escolheu aquele nível. Na consulta seguinte, isso é a diferença entre ajustar com base em algo e recomeçar do zero.

No SimpleNutri, o bloco Atividades Físicas funciona exatamente assim: cada exercício vem de um catálogo com o MET já definido e é convertido em calorias pela conta de MET, peso, duração e frequência. Uma atividade de MET 8, por 60 minutos, três vezes por semana, num paciente de 70 kg, soma cerca de 240 kcal por dia ao gasto total.

Onde a conta erra antes de começar

Vale desconfiar dos dados de entrada na mesma proporção em que se desconfia da equação.

Altura declarada. Muita gente informa a altura de quando tinha vinte anos. Meça na consulta. No campo Altura (cm) do SimpleNutri, digitar 1,75 é convertido sozinho para 175 — a tela é tolerante com o formato, mas não tem como saber se o número está certo.

Percentual de gordura de dobra mal medida. É a entrada dos protocolos de massa magra e a mais sensível de todas. Se os cartões Massa Magra e Massa Gorda não aparecem depois de você preencher as pregas, o motivo mais comum é uma dobra digitada em centímetros em vez de milímetros — o resultado cai fora da faixa aceitável e a tela simplesmente não exibe nada. O caminho completo está em avaliação antropométrica.

Peso desatualizado. Aqui existe uma armadilha específica da ferramenta, e ela é silenciosa.

Trocar de fórmula no meio produz variação que não veio do paciente

Este é o ponto que sobrevive a qualquer discussão sobre qual equação é melhor.

Se na primeira consulta você usou Mifflin-St Jeor e na quarta trocou para Cunningham porque agora tinha as dobras, o gasto do paciente “subiu” 170 kcal. Não subiu. Você trocou o instrumento no meio da medição.

A série só significa alguma coisa quando o método é constante. Isso vale para o protocolo de TMB, para o nível de atividade e para o protocolo de dobras — mesmo raciocínio que faz uma balança diferente estragar uma curva de peso.

Duas regras práticas que resolvem:

  1. Escolha o protocolo pensando no acompanhamento inteiro, não na consulta de hoje. Se você sabe que não vai medir dobras em todo retorno, não comece por uma equação que depende delas.
  2. Registre o protocolo e o nível junto com o número. No SimpleNutri a legenda do cartão de Gasto Energético Total (GET) já mostra o protocolo e o nível usados, mas vale repetir a informação nas anotações da consulta — é lá que você vai olhar no retorno, e é lá que fica o motivo da escolha.

Se precisar mesmo trocar, troque e anote a troca. Um número novo com método novo é um recomeço declarado; um número novo com método novo e sem registro é ruído que você vai interpretar como fisiologia.

Do GET para a meta, e o que a ferramenta não decide

Calculado o gasto total, o SimpleNutri exibe o bloco Recomendações por Objetivo, com os ajustes já aplicados: cortes de 750, 400 ou 200 kcal para perda de peso, o próprio GET para manutenção e acréscimos de 250, 400 ou 750 kcal para ganho de massa. São ajustes fixos sobre o gasto total, sem nenhum outro fator entrando na conta. O detalhe do cálculo está em como o SimpleNutri calcula TMB e GET.

Fixos é a palavra importante. A ferramenta faz aritmética; qual faixa cabe naquele paciente, naquele momento, com aquele histórico, é decisão clínica e é sua. O software não sabe nada sobre o caso além do que você digitou.

E o número que sai dali é uma hipótese, não um veredito. Ele nasce de uma equação com erro conhecido, multiplicada por um fator estimado, sobre medidas que também têm erro. O que corrige isso não é uma fórmula melhor: é a resposta observada nas próximas semanas, comparada com o que você previu.

Se a maior parte do seu tempo de consulta está indo para essa conta em vez de para essa observação, o problema mudou de lugar — e reduzir o tempo por consulta passa a ser a questão mais urgente que a escolha da equação.

A regra que fecha a decisão

Escolha a fórmula pelo dado confiável que você tem, não pela que tem melhor reputação. Mantenha a escolha pelo acompanhamento inteiro. Anote protocolo, nível e o critério que você usou para chegar nele.

E transfira para o fator de atividade a energia que você estava gastando na escolha da equação. É lá que estão as centenas de quilocalorias.

Perguntas frequentes

Qual é a melhor fórmula para calcular a TMB?

Não existe uma melhor para todo mundo. Cada equação de taxa metabólica basal foi ajustada sobre uma amostra específica de pessoas, então a pergunta útil é qual delas foi construída com gente parecida com o seu paciente e qual você consegue alimentar com dado confiável. Fórmulas de peso e altura servem desde a primeira consulta. Fórmulas de massa livre de gordura só fazem sentido quando a composição corporal foi medida com cuidado.

Qual a diferença entre Harris-Benedict e Mifflin-St Jeor?

As duas estimam a taxa metabólica basal a partir de peso, altura, idade e sexo, e diferem na amostra e na época em que foram ajustadas. Harris-Benedict é bem mais antiga e tem versão original e revisada; Mifflin-St Jeor foi desenvolvida décadas depois. Para o mesmo paciente elas costumam devolver valores próximos, e manter a mesma escolha ao longo do acompanhamento importa mais do que decidir entre uma e outra.

Quando usar uma fórmula que exige massa magra?

Quando existe uma estimativa de composição corporal em que você confia, feita com protocolo definido e técnica repetível. Cunningham, Katch-McArdle e Tinsley de massa livre de gordura partem da massa magra em vez do peso total, então erro na dobra cutânea vira erro no gasto energético. Sem composição corporal confiável, a fórmula mais sofisticada entrega um número pior que a mais simples.

Qual é a diferença entre TMB e GET?

A taxa metabólica basal é o gasto em repouso — o que o corpo consome sem fazer nada. O gasto energético total é a TMB multiplicada por um fator de nível de atividade, mais o que o paciente gasta em exercício declarado. O número que vai para o planejamento alimentar é o GET. A TMB sozinha é só a base da conta, e usá-la como meta é um erro de leitura comum.

O fator de nível de atividade muda muito o resultado?

Muda mais que a escolha da fórmula. Os multiplicadores usuais vão de 1,2 para sedentário a 1,9 para extremamente ativo, e cada degrau altera o gasto total em algumas centenas de quilocalorias. Como esse fator costuma ser definido a partir de uma frase solta do paciente sobre a rotina, ele é o ponto mais frágil da conta e o que mais merece pergunta específica sobre frequência, duração e intensidade.

Posso trocar de fórmula de TMB no meio do acompanhamento?

Pode, mas o número da consulta seguinte deixa de ser comparável com o anterior. Protocolos diferentes usam equações diferentes, então parte da variação passa a vir da troca e não do paciente. Se precisar trocar, por exemplo porque a composição corporal ficou disponível, registre a troca junto com o valor — para não ler depois uma mudança de método como mudança de metabolismo.

Por que alguns protocolos de TMB aparecem bloqueados no SimpleNutri?

Porque três deles calculam a partir da massa livre de gordura. Na aba Gasto Energético, os protocolos marcados com requer comp. corporal ficam desabilitados enquanto não existir percentual de gordura ou massa magra calculados. Para liberar, volte à aba Antropometria, escolha um protocolo de dobras, preencha as pregas marcadas com asterisco e salve a avaliação. Só então eles ficam selecionáveis.

Mudei o peso do paciente. O gasto energético se atualiza sozinho?

Não. No SimpleNutri, alterar peso, altura ou composição corporal na aba Antropometria não refaz o cálculo de gasto energético. O valor antigo continua na tela como se estivesse correto até você voltar à aba Gasto Energético e clicar em Recalcular. Vale conferir sempre que corrigir uma medida, porque GET velho com peso novo é o tipo de erro que ninguém percebe depois.

As atividades físicas cadastradas contam duas vezes no GET?

Podem contar, e a decisão de evitar isso é sua. No SimpleNutri as atividades físicas são somadas por cima do GET, depois do fator de nível de atividade — o sistema soma, não desconta. Se você vai detalhar treinos como atividade, o caminho usual é escolher um nível de atividade mais baixo, deixando o exercício aparecer uma vez só na conta.

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Perguntas frequentes

Vale a pena para nutricionista aceitar convênio?Como saber, na anamnese, se o plano vai caber na rotina do paciente?Qual a diferença entre formulário de pré-consulta e de anamnese?Quantas vezes devo repetir cada medida?O paciente registra o próprio peso no portal do SimpleNutri?O paciente recebe aviso quando eu clico em Entregar Cardápio?

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