Quantos pacientes você realmente acompanha: como limpar a lista sem apagar ninguém
O critério objetivo para saber quem está de fato em acompanhamento, como levantar esse número nas telas do sistema e como arquivar sem perder histórico nem prontuário.
Pergunte a qualquer consultório quantos pacientes ele acompanha e o número vem rápido. Peça a mesma lista com nome e data da última consulta ao lado e o número cai — às vezes pela metade.
Não é falta de honestidade. É que a lista de pacientes é um arquivo cumulativo: entra quem passou uma vez em março do ano passado, entra quem fez três consultas e sumiu, entra o cadastro duplicado da mesma pessoa com o telefone diferente. Nada sai sozinho.
O problema não é organização. É que três decisões do consultório são tomadas em cima desse número, e as três saem tortas juntas.
As três decisões que o número inflado estraga
Quanto você acha que fatura por paciente. Suponha R$ 4.000 de receita num mês e uma lista com 48 nomes. A conta ingênua devolve R$ 83 por paciente, o que parece pouco e sugere que o preço está baixo. Se os pacientes de verdade foram 18, a mesma receita vira R$ 222 por pessoa — e o diagnóstico muda de “preço baixo” para “poucos pacientes”. São dois planos de ação opostos saindo do mesmo mês.
Quanta agenda você acha que tem livre. Quem acredita carregar 48 pessoas se sente no limite e para de captar. Com 18 em acompanhamento real e uma agenda montada para 30, existe espaço para 12 e ele está sendo protegido de gente que não existe.
Quanto tempo você acha que dedica a cada um. Multiplique quinze minutos mensais de acompanhamento pelos 48 e dá doze horas por mês. A conclusão óbvia é que não cabe, e a rotina de check-in morre antes de começar. Multiplicando pelos 18 reais, dá quatro horas e meia — que cabem em quatro blocos de uma hora.
O número errado não deixa você um pouco impreciso. Ele te faz decidir o contrário do que deveria.
O critério: dentro da janela, ou com retorno marcado
Uma pessoa está em acompanhamento quando uma das duas coisas é verdade:
- teve consulta concluída dentro de uma janela de tempo que você definiu; ou
- tem consulta futura marcada, mesmo que a última tenha sido há muito tempo.
Todo o resto está em pausa ou encerrado, não importa o quanto a última consulta foi boa.
A janela é sua decisão, e a regra prática que funciona é o dobro do seu intervalo normal de retorno. Se você atende de trinta em trinta dias, a janela é de 60 a 90 dias. Se atende quinzenalmente, 30 a 45. A lógica: um retorno atrasado é vida acontecendo; dois retornos perdidos sem nenhum contato é outra coisa.
Escolhida a janela, escreva o número em algum lugar e use sempre o mesmo. Comparar um trimestre com o outro só funciona quando a régua não muda de tamanho no meio.
Como levantar o número na tela
Meia hora, uma vez por trimestre
Abra Consultas e alargue o período
A tela abre com o campo
Depreenchido com a data de hoje, e é por isso que o histórico some. Coloque nele o primeiro dia da sua janela e deixeAténa data de hoje.Filtre por Concluída
No seletor de status, escolha
Concluída. Esse filtro é aplicado pelo servidor, então ele busca de verdade em vez de esconder o que estava na tela.Aumente os itens por página
No rodapé, mude
Itens por páginapara 100. A busca por nome só enxerga o que está carregado na página exibida, e os cartões do topo também contam só ela.Conte nomes distintos
Quem teve três consultas no período conta uma vez. Esse total, somado a quem tem consulta futura marcada, é o seu número real de pacientes em acompanhamento.
Compare com o contador de ativos
Abra
Pacientes, filtre porAtivose leia o cartãoAtivosdo topo. A diferença entre os dois números é a sua fila de limpeza.
Vale conhecer duas esquisitices dessas telas antes de confiar no que aparece. Na lista de consultas, só o cartão Total usa o número devolvido pelo servidor: Agendadas, Concluídas e Canceladas/No-show contam apenas a página exibida. Já na lista de pacientes acontece o contrário — os cartões Total, Ativos e Inativos vêm das estatísticas gerais da conta e não acompanham busca nem filtro, o que é proposital: você continua vendo quantos ativos tem enquanto procura alguém.
Três montes: ativo, pausado, encerrado
Com a lista na frente, cada nome fora da janela cai em um dos três:
Ativo. Dentro da janela ou com retorno marcado. Não mexa.
Pausado. Pessoa que declarou uma interrupção, com motivo e alguma previsão de volta — gravidez, mudança de cidade, período apertado de dinheiro. Aqui vale um cuidado: o sistema tem dois estados apenas, Ativo e Inativo, e não existe um status intermediário. O terceiro monte mora na sua anotação. Use o campo Observações do cadastro, que é interno e não aparece para o paciente nem em PDF nenhum, e escreva a pausa com data: “pausa até março, retorno combinado”. Depois decida pelo espaço — se o plano gratuito está apertado, arquive; se não, deixe ativo e reveja no trimestre seguinte.
Encerrado. Alta com plano de manutenção combinado, ou ausência sem combinado nenhum. Os dois viram Inativo. A diferença entre eles não é o clima da última consulta, é o que ficou escrito no dia da saída — e ela importa mais do que parece, porque quem conta abandono como alta acredita reter melhor do que retém. O critério está em alta, pausa ou abandono.
Arquivar não é apagar
Essa é a confusão que faz gente adiar a limpeza por meses.
| Ação | O que acontece |
|---|---|
Inativo |
Cadastro e histórico ficam. Sai da contagem de ativos. |
Excluir |
Some das listas. Não dá para desfazer. |
O caminho para arquivar: abra a ficha do paciente, clique em Editar, procure o campo Status dentro do bloco Dados Pessoais e troque Ativo por Inativo. Salve em Salvar Alterações. O campo Status não existe no formulário de cadastro — todo paciente novo nasce ativo, e é só na edição que ele aparece.
Para trazer alguém de volta, o caminho é o mesmo ao contrário: filtre por Inativos, abra a ficha, Editar, Status para Ativo. Dois cliques, com consultas, avaliações e cardápios todos onde estavam. É essa reversibilidade que torna a limpeza barata: você não está decidindo nada definitivo, está separando quem está na sua semana de quem não está.
O registro continua sob guarda, mesmo de quem saiu
Arquivar resolve o problema da lista. Não resolve, e nem deveria resolver, o problema do prontuário.
Registro clínico é documento sujeito a obrigação de guarda, com prazo e condições que vêm de norma do conselho profissional e da legislação de saúde — não do software que você usa. Não confie em prazo que você leu num post da internet, inclusive neste: confirme o que se aplica ao seu caso com o seu CRN. O que importa aqui é o mecanismo. Enquanto a obrigação de guarda estiver correndo, o registro precisa existir e ser recuperável, e é exatamente isso que Inativo garante e Excluir destrói.
Some a isso a divisão de papéis da LGPD. Quem atende é o controlador dos dados dos próprios pacientes; o software é o operador. Na prática: um pedido de exclusão feito por um paciente chega em você primeiro, e o direito dele convive com as obrigações profissionais de guarda que recaem sobre você. Quando os dois parecerem colidir num caso concreto, quem responde é o seu conselho ou um profissional habilitado, não a documentação de um sistema.
Um detalhe operacional que fecha o assunto: arquivar não é armazenamento eterno automático. Se você um dia cancelar a assinatura, os dados ficam acessíveis e exportáveis por 30 dias e depois são excluídos. Quem depende do sistema como prontuário precisa saber disso antes de precisar.
O que o número limpo permite decidir
Voltando ao exemplo. Depois da limpeza, a lista de 48 vira 18 ativos, 4 pausados anotados e 26 arquivados. O que muda na segunda-feira seguinte:
- A receita por paciente sai do chute e vira insumo para a revisão de preço — se você nunca fez essa conta, ela começa em quanto cobrar por uma consulta de nutrição.
- As vagas livres aparecem, e com elas a resposta para “preciso captar este mês ou não”.
- O acompanhamento entre consultas ganha um tamanho executável, porque 18 pessoas cabem no seu bloco de sexta-feira e 48 nunca couberam.
- No plano gratuito, cada arquivamento libera vaga na hora, sem perder nada.
Marque a próxima revisão no calendário agora, para daqui a três meses, com a mesma janela. Se você fizer isso quatro vezes, no fim do ano vai ter quatro números comparáveis — e passar a saber, sem adivinhar, se o consultório está crescendo ou apenas acumulando nomes.
Perguntas frequentes
Como saber quantos pacientes eu realmente acompanho?
Defina uma janela de tempo, em geral o dobro do seu intervalo normal de retorno, e conte quantas pessoas distintas tiveram consulta concluída dentro dela ou têm consulta futura marcada. Esse é o número real. O total de cadastros na lista de pacientes não serve, porque ela acumula todo mundo que passou uma vez e nunca mais voltou — nada sai dela sozinho.
Qual a diferença entre arquivar e excluir um paciente?
Arquivar é mudar o Status para Inativo na edição do paciente: o cadastro continua no sistema com todo o histórico, aparece quando você usa o filtro Inativos e sai da contagem de ativos. Excluir remove o paciente das listas do aplicativo, com o aviso de que a ação não pode ser desfeita — não existe lixeira nem restauração pela interface.
Paciente inativo conta no limite do plano gratuito?
Não. O limite do plano Free conta apenas pacientes ativos, e arquivar é justamente a forma de liberar vaga sem perder nada. O número que vale para a sua conta é o do contador em Configurações › Assinatura, no bloco Pacientes ativos. Lembre do outro lado: reativar um paciente antigo devolve a ocupação daquela vaga.
Por que a lista de consultas não mostra os meses anteriores?
Porque ela abre já filtrada: o campo De vem com a data de hoje e o campo Até com o último dia do mês atual. Tudo que aconteceu antes de hoje fica fora da tela até você limpar o campo De ou colocar nele uma data anterior. Esse filtro é aplicado pelo servidor, então mudar a data busca consultas de verdade, e não apenas revela o que já estava carregado.
O SimpleNutri mostra há quantos dias o paciente não aparece?
Não existe essa métrica em tela nenhuma. Não há indicador de dias sem consulta, taxa de retenção nem lista automática de quem sumiu. O Dashboard traz Pacientes ativos, Consultas próximas, Receita mensal e Crescimento. A conta de quem ainda está em acompanhamento é manual, feita com os filtros da lista de consultas, e leva de vinte a trinta minutos por trimestre.
Posso apagar o cadastro de quem eu não atendo mais?
Antes de excluir, considere que o registro clínico continua sujeito a obrigações de guarda, que vêm de norma do conselho profissional e da legislação de saúde, não do software. Arquivar mantém tudo recuperável e resolve o problema de espaço na lista. Reserve a exclusão para cadastro duplicado ou criado por engano, e confirme o prazo aplicável ao seu caso com o seu CRN.
Com que frequência devo revisar a lista de pacientes?
Uma vez por trimestre resolve para a maioria dos consultórios individuais. Marque no calendário, use sempre a mesma janela de tempo e separe os cadastros em três montes: ativo, pausado e encerrado. Revisar com régua fixa é o que permite comparar um trimestre com o outro — se a janela muda a cada revisão, o número sobe e desce sem significar nada.
O que muda quando eu tenho o número real de pacientes ativos?
Três decisões saem do chute. A receita por paciente passa a ser calculável, e é ela que sustenta a revisão de preço. As vagas livres na agenda ficam visíveis, o que diz se este é mês de captação ou não. E o tempo de acompanhamento entre consultas passa a ser dimensionado para quem existe, em vez de parecer inviável por causa de gente que já saiu.
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