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Quanto cobrar por uma consulta de nutrição

O método para chegar no seu preço a partir do custo real da hora atendida, e não do que a colega cobra. Com a conta feita, exemplos e os erros que derrubam a margem.

Toda nutricionista que abre consultório passa por essa cena: alguém pergunta o preço da consulta e vem aquele silêncio de meio segundo antes da resposta. O silêncio não é timidez. É a suspeita, correta, de que o número foi escolhido no chute.

Este texto é sobre trocar o chute por uma conta. A conta não é difícil — o que é difícil é encarar o resultado dela.

O erro que quase todo mundo comete

O jeito mais comum de definir preço é olhar o que as colegas cobram e se posicionar no meio. Parece prudente. É o contrário.

A média do mercado inclui, entre outras pessoas, quem está cobrando abaixo do próprio custo e ainda não percebeu. Quando você se ancora nela, herda o erro dessas pessoas. Além disso, o preço da colega faz sentido para a estrutura dela: se ela divide sala, atende no contraturno de um emprego CLT e não depende da consulta para pagar contas, o piso dela é outro. Copiar o número sem copiar a estrutura é copiar a dose sem saber o peso.

A conta, em quatro passos

Do custo ao preço

  1. Some os custos fixos do consultório

    Aluguel ou coworking, software, anuidade do CRN dividida por 12, contador, internet, telefone, material, marketing recorrente. Tudo o que sai da conta todo mês mesmo se você não atender ninguém.

  2. Some quanto você precisa tirar por mês

    O seu pró-labore. Não é o que sobra — é o valor que você precisa receber para viver. Se ele não entra na conta, você está subsidiando o próprio consultório.

  3. Divida pelo número real de consultas por mês

    Real, não teórico. Use a média das suas últimas oito semanas. Sem histórico, use metade da agenda teórica.

  4. Adicione a margem

    O que sobra depois de tudo pago — é o que financia reserva, equipamento, curso e mês fraco. Sem margem, o consultório não erra nem uma vez.

O resultado do passo 3 é o seu ponto de equilíbrio por consulta. É o número abaixo do qual você trabalha de graça. O passo 4 transforma esse piso em preço.

Um exemplo com números

Vamos supor um consultório individual com estes custos mensais:

Item Valor mensal
Sala compartilhada (2 turnos/semana) R$ 700
Software de gestão R$ 90
Contador R$ 250
CRN (anuidade ÷ 12) R$ 60
Internet e telefone R$ 120
Material e impressão R$ 80
Marketing recorrente R$ 200
Custos fixos R$ 1.500
Pró-labore desejado R$ 5.000
Total a cobrir R$ 6.500

Agora a parte que dói. A agenda teórica é de 20 horas por semana, o que sugere 80 atendimentos mensais. O número real, depois de descontar montagem de cardápio, retorno de mensagens, faltas e remarcações, fica em 40 consultas por mês.

R$ 6.500 ÷ 40 = R$ 162,50 por consulta, só para empatar.

Com uma margem de 25%, o preço vai para R$ 203. Arredondando para cima, R$ 210.

As horas que ninguém conta

Uma consulta não custa uma hora. Custa:

  • A hora do atendimento em si.
  • O tempo de montar ou ajustar o cardápio depois.
  • As mensagens antes e depois — dúvida sobre substituição, foto do prato, remarcação.
  • O tempo perdido na falta que não foi avisada.
  • A fatia da semana que vai para administração, financeiro e captação.

Numa operação individual, é comum que cada hora atendida carregue de trinta minutos a uma hora de trabalho invisível. Quando você divide o custo mensal só pelas horas de consulta, está mandando essa metade da semana trabalhar de graça.

Duas saídas, e elas se somam:

  1. Colocar o custo real no preço. É o que a conta acima faz.
  2. Reduzir a hora invisível. Cardápio a partir de modelo em vez de zero, formulário de anamnese respondido antes da consulta, acompanhamento estruturado no lugar de mensagem solta. Cada hora que sai da sombra é uma hora que pode virar atendimento — ou descanso.

Quando o número assusta

É comum a conta devolver um valor mais alto do que você se sente confortável em pedir. Isso é informação, não é erro de cálculo. Três leituras possíveis:

O custo está alto para o volume. Sala própria com agenda de dois turnos raramente fecha. Compartilhar, reduzir turnos ou migrar parte do atendimento para online muda o piso na hora.

O volume está baixo para o custo. Aí o problema não é preço, é captação — e aumentar o preço sem encher a agenda só acelera o buraco.

O preço está certo e o desconforto é seu. Também acontece, e com frequência. Nesse caso o trabalho não é na planilha, é em conseguir dizer o número em voz alta sem pedir desculpa.

Como subir o preço sem perder a base

Aumentar preço de quem já é paciente é o que trava a maioria. O caminho de menor atrito:

  1. Suba só para novos pacientes. Quem já está com você continua no valor antigo por um ciclo completo de acompanhamento.
  2. Avise com antecedência. Quando o reajuste chegar à base, ele não pode ser surpresa.
  3. Ancore em algo concreto. Não é “os custos subiram” — é “agora o acompanhamento inclui check-in entre consultas e o cardápio no celular”. O paciente precisa ver o que mudou.
  4. Aguente as primeiras semanas. Vai ter quem não siga. Se a conta estava certa, você precisa de menos pacientes para faturar o mesmo.

Quando pedem desconto

Vai acontecer, e a resposta improvisada é o que mais destrói margem. Três situações diferentes, três respostas diferentes:

“Está caro.” Quase sempre significa “não entendi o que estou comprando”. Antes de mexer no número, descreva o que está incluído — duração do acompanhamento, o que acontece entre as consultas, o que a pessoa leva embora. Se depois disso continuar caro, é orçamento, e aí o desconto não resolve: o que resolve é uma oferta menor.

“Você faz por X?” Contrapropostas se respondem com escopo, não com preço. O valor não cai; o que cabe nele muda. Uma consulta avulsa em vez do pacote de três meses, acompanhamento sem check-in entre consultas, retorno mais espaçado. A pessoa escolhe o que quer pagar, e você não vira a profissional que cobra diferente de cada um.

“Minha amiga pagou menos.” Se for verdade, você tem um problema de política de preço, não de negociação. Preço registrado como produto no sistema, com valor definido, elimina a categoria inteira desse problema — e de quebra faz o faturamento aparecer sozinho no fim do mês.

A única forma de desconto que costuma se pagar é a que compra algo em troca: pagamento antecipado do pacote inteiro, indicação que virou paciente, compromisso de horário que você tem dificuldade de preencher. Desconto sem contrapartida é só preço mais baixo com etapas a mais.

Revisão: a cada seis meses

Preço não é decisão única. Custo muda, volume muda, seu tempo por consulta muda. Duas vezes por ano, refaça os quatro passos com os números dos últimos seis meses reais.

Na maior parte das vezes você vai concluir que está tudo certo. Nas outras, vai descobrir cedo — e não daqui a dois anos, quando o prejuízo já tiver virado hábito.

Perguntas frequentes

Quanto custa em média uma consulta de nutrição no Brasil?

A faixa praticada varia muito por cidade e por posicionamento, e usar a média como referência é justamente o erro mais comum. A média inclui quem cobra abaixo do próprio custo. O número que importa é o seu piso, calculado a partir dos seus custos fixos divididos pelas consultas que você realmente consegue fazer por mês — em geral bem menos do que a agenda teórica sugere.

Devo cobrar o mesmo valor da nutricionista que atende perto de mim?

Não, porque a estrutura de custos dela é diferente da sua. Alguém que divide sala, atende trinta pacientes por mês e mora com a família tem um piso completamente diferente de quem aluga consultório próprio e vive da consulta. Copiar preço sem copiar estrutura é como copiar a dose sem saber o peso do paciente.

Como calcular o custo da minha hora de trabalho?

Some todos os custos mensais do consultório (aluguel, software, CRN, contador, internet, material, marketing) e some o quanto você precisa tirar por mês para viver. Divida esse total pelo número de consultas que você consegue de fato realizar no mês. O resultado é quanto cada consulta precisa render só para você ficar no zero a zero.

Quantas consultas por mês eu consigo fazer de verdade?

Menos do que a agenda teórica. Uma agenda de vinte horas semanais não vira oitenta consultas por mês: existe tempo de montagem de cardápio, retorno de mensagem, falta, remarcação e trabalho administrativo. Para o cálculo do preço, use a média das suas últimas oito semanas reais. Se ainda não tem histórico, use metade da agenda teórica.

Vale a pena dar desconto para fechar pacote?

Vale quando o desconto compra previsibilidade e reduz o custo de captação — você deixa de gastar para vender de novo. Não vale quando é só medo de ouvir não. A regra prática, se o desconto no pacote não puxa a receita mensal para cima em relação à consulta avulsa vendida na mesma frequência, ele está financiando a insegurança, não o negócio.

Como cobrar mais caro sem perder paciente?

Aumentando o preço de entrada só para novos pacientes e mantendo os atuais no valor antigo por um ciclo. Isso testa o mercado sem quebrar a confiança de quem já está com você. Some a isso algo concreto no acompanhamento — check-in entre consultas, portal com o cardápio, resposta em prazo definido — para que o valor novo tenha lastro visível.

Preciso cobrar mais barato porque estou começando?

Preço baixo de entrada é uma estratégia legítima, desde que tenha prazo e critério de saída definidos antes de começar — por exemplo, os vinte primeiros pacientes ou os três primeiros meses. Sem esse limite escrito, o preço de lançamento vira o preço definitivo, e subir depois fica muito mais difícil do que teria sido começar mais alto.

Devo publicar meu preço no Instagram e na página de agendamento?

Publicar filtra quem não tem orçamento antes de ocupar seu tempo, e reduz a conversa de preço na consulta. O custo é perder quem decidiria pelo valor percebido depois de conversar com você. Para consulta avulsa de ticket previsível, publicar costuma compensar; para pacotes longos e programas, apresentar o preço depois de entender o caso costuma converter melhor.

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Perguntas frequentes

Vale a pena para nutricionista aceitar convênio?Como saber, na anamnese, se o plano vai caber na rotina do paciente?Qual a diferença entre formulário de pré-consulta e de anamnese?Quantas vezes devo repetir cada medida?O paciente registra o próprio peso no portal do SimpleNutri?O paciente recebe aviso quando eu clico em Entregar Cardápio?

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