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Alta, pausa ou abandono: como diferenciar e o que fazer em cada caso

Os três jeitos de um paciente sair da sua agenda pedem condutas opostas. O critério que separa cada um, o que registrar e como manter a lista de pacientes honesta.

Três pessoas saíram da sua agenda neste mês. A primeira chegou onde vocês combinaram e foi embora com um plano de manutenção na mão. A segunda avisou que viaja a trabalho e volta em setembro. A terceira desmarcou o retorno numa quinta-feira e não respondeu mais.

Do ponto de vista da agenda, as três somem igual: um horário que ficou vago. Do ponto de vista do que você precisa fazer, são três coisas opostas.

O problema é que a classificação quase nunca é feita. As três viram “fulana parou de vir”, e o consultório perde de uma vez a conduta certa para cada caso e a capacidade de saber quanto realmente retém.

Três saídas, três critérios — e nenhum deles é sensação

O jeito mais comum de classificar é pelo clima da última consulta: se foi boa, a pessoa terminou; se foi estranha, desistiu. Isso não é critério, é memória — e memória de quem estava emocionalmente envolvido.

Critério é o que ficou combinado e escrito no dia da saída.

Saída O que precisa ter acontecido
Alta Objetivo alcançado e manutenção combinada
Pausa Data de volta e motivo declarados
Abandono Nenhum combinado, só ausência

Repare que os três olham para o mesmo momento — a saída — e não para o resultado. Alguém pode ter perdido oito quilos e ter abandonado, se sumiu sem combinar nada. E pode ter perdido dois e ter recebido alta, se dois era o objetivo pactuado e a manutenção está escrita.

A decisão clínica de dar alta é sua e depende do caso. O que dá para padronizar, e é o que este texto trata, é o procedimento em volta dela.

O que a confusão estraga

Quem conta abandono como alta acredita que retém melhor do que retém. E isso não é vaidade ferida: são três decisões tomadas com número errado.

O desenho do pacote. Se você acha que o acompanhamento médio dura cinco meses e ele dura três, o pacote de seis está sendo vendido para uma pessoa que não existe.

O volume de captação. Consultório que superestima a permanência subestima quantos pacientes novos precisa por mês — e descobre o buraco quando ele já está aberto.

O tempo por paciente. Uma lista com 47 ativos, dos quais 18 não aparecem há cinco meses, faz você acreditar que dedica atenção a 47 pessoas. Você dedica a 29, e ainda se sente devendo às outras.

Vale uma honestidade sobre a ferramenta aqui: o SimpleNutri não tem tela de retenção. Não existe indicador de churn, de inatividade nem de dias sem consulta em lugar nenhum do sistema. O número mais próximo disso é o contador Ativos de a lista de pacientes, e ele só significa alguma coisa se o Status de cada ficha estiver em dia. Contador não é retenção; é o resultado da sua manutenção.

Alta: o combinado precisa existir antes de a pessoa sair

Alta bem feita tem três peças, e duas delas acontecem meses antes da consulta de alta.

O critério dito no começo. “A gente trabalha até você conseguir montar seu prato sem me consultar” é um critério. “Vamos vendo” não é. Sem critério declarado na primeira consulta, toda alta parece abandono do lado de lá — e quem interpreta assim não indica ninguém.

A manutenção escrita, não falada. O que a pessoa faz depois de você precisa existir em texto: o que manter, o que observar, em que situação procurar de volta. Falado na porta, some no estacionamento.

A porta de volta com endereço. “Me chama” não é endereço. Data de retorno de manutenção, ou pelo menos um marco — três meses, fim do inverno, depois da viagem.

O detalhe operacional: quando a alta tem retorno de manutenção marcado, mantenha a ficha Ativo até essa data. Quando não tem, arquive. A alta é também o melhor momento do acompanhamento inteiro para pedir alguma coisa — e o assunto está inteiro em como transformar alta em indicação.

Pausa: interrupção com data, não desaparecimento educado

Pausa de verdade carrega três informações: o motivo, a data prevista de volta e o que acontece no intervalo. Sem as três, o que você tem é um abandono com boas maneiras.

O que muda na prática é quem procura quem. Numa pausa combinada, fica definido: ela te procura em setembro, ou você manda uma mensagem no fim de agosto. Escrever isso na ficha resolve a dúvida de dali a dois meses, quando ninguém lembra mais.

Do lado do sistema, uma pausa curta costuma não exigir nada de você. O acompanhamento automático por checkpoint só é enviado enquanto o paciente tem uma venda paga ativa: quando o plano dele acaba, o envio é pulado, o ritmo continua correndo por baixo e volta sozinho quando a venda é renovada.

Já mexer no agendamento tem custo. A aba Agendamentos lista somente agendamentos ativos, então um agendamento pausado some da tela e o botão Retomar fica fora de alcance. Na prática, tanto pausar quanto cancelar exigem criar um agendamento novo depois. Para acompanhamento com fim previsto, é mais barato preencher Encerrar em (opcional) lá na criação.

Abandono: nomear a ausência sem virar tribunal

Abandono precisa de uma janela numérica, escolhida por você e aplicada igual para todo mundo. Uma que funciona: uma vez e meia o seu intervalo padrão de retorno. Retorno de 30 dias, janela de 45. Retorno de 21, janela de 32.

A janela não existe para julgar ninguém. Existe para você agir enquanto a conversa ainda é possível, em vez de lembrar da pessoa em novembro.

O procedimento cabe em três linhas: uma mensagem curta, sem cobrança e com uma porta específica; o registro do que aconteceu na ficha; e o arquivamento duas semanas depois, se não houver resposta. Arquivar não é punição — é contabilidade.

A revisão trimestral, na tela

Uma vez por trimestre, meia hora resolve o acúmulo de três meses.

Separar ativo, pausado e encerrado

  1. Alargue o período

    A lista de consultas abre com o campo De preenchido com a data de hoje, então o passado fica invisível. Limpe esse campo ou coloque nele a data de três meses atrás.

  2. Aumente a página

    No rodapé, mude Itens por página: para 100. A busca por nome dessa tela só enxerga o que já está carregado, então página curta esconde gente que existe.

  3. Liste quem apareceu

    Filtre por Concluída e anote os nomes do período. Quem não estiver nessa lista e continuar como ativo é exatamente o caso a classificar.

  4. Classifique e arquive

    Para cada nome, decida entre alta, pausa e abandono, escreva a linha correspondente na ficha e mude o Status para Inativo em quem já saiu.

O arquivamento em si é curto: na ficha do paciente, Editar, campo Status dentro de Dados Pessoais, trocar Ativo por Inativo, Salvar Alterações. A pessoa ganha a etiqueta Inativo na lista e deixa de contar no limite de 10 pacientes ativos do plano gratuito.

Arquivar não é apagar

Inativo mantém cadastro, consultas, avaliações e cardápios, e só tira a pessoa da contagem de ativos. Excluir remove das listas, e o próprio modal avisa que a ação não pode ser desfeita — não há lixeira nem restauração pela interface.

A tentação de apagar aparece exatamente quando o limite do plano gratuito aperta, e é a pior saída possível.

A linha que você escreve no dia em que a pessoa sai

Não é relatório. É uma frase, escrita nas anotações da consulta enquanto o assunto está fresco:

  • “Alta em 14/03. Objetivo alcançado, manutenção entregue, retorno de acompanhamento em 90 dias.”
  • “Pausa até 02/09. Viagem a trabalho. Ela me procura na volta.”
  • “Sem contato desde 11/05. Uma mensagem em 26/06, sem resposta. Ficha arquivada em 10/07.”

Vinte segundos cada uma. É a diferença entre um consultório que sabe o que aconteceu com cada pessoa que passou por ele e um que, três meses depois, tem 47 ativos e nenhuma ideia de quantos deles são reais.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre alta, pausa e abandono no acompanhamento nutricional?

Alta é o encerramento planejado: o objetivo combinado foi alcançado e existe um plano de manutenção escrito. Pausa é uma interrupção com data prevista de volta e motivo declarados pelo paciente. Abandono é ausência sem combinado nenhum. Os três terminam com a pessoa fora da agenda, mas só o terceiro exige que você vá atrás, e só o primeiro rende indicação.

Quando dar alta a um paciente de nutrição?

A decisão de alta é clínica e depende do caso, do objetivo pactuado e da autonomia que a pessoa conquistou — isso é seu, não de um artigo. O que dá para padronizar é o procedimento: o critério de alta precisa ter sido dito no começo do acompanhamento, o plano de manutenção precisa estar escrito e não apenas falado, e a porta de volta precisa ter endereço.

Depois de quanto tempo sem consulta eu considero que o paciente abandonou?

Escolha uma janela e aplique igual para todo mundo, em vez de decidir caso a caso. Uma regra que funciona é uma vez e meia o seu intervalo padrão de retorno: se você atende de 30 em 30 dias, 45 dias sem consulta e sem retorno marcado já é abandono. A janela existe para você agir cedo, não para julgar o paciente.

Devo arquivar o paciente que recebeu alta?

Depende do que ficou combinado na saída. Se existe um retorno de manutenção marcado, mantenha a ficha ativa até essa data. Se a alta foi sem retorno agendado, arquive: no SimpleNutri isso é abrir a ficha, clicar em Editar, mudar o campo Status para Inativo e salvar. O histórico inteiro continua guardado e a pessoa sai da contagem de pacientes ativos.

Como registrar a alta no prontuário do paciente?

Registre no mesmo dia, dentro da consulta de alta. Precisam constar a data, o objetivo que foi alcançado, a evolução resumida, o plano de manutenção e o combinado de retorno. Na aba Anotações do SimpleNutri existe o modelo Alta Nutricional, que monta essa estrutura em um clique — ele entra sempre nas Anotações Públicas, que é o campo que o paciente consegue reler pelo portal.

Posso excluir o cadastro de quem abandonou o acompanhamento?

Não trate exclusão como arquivamento. No SimpleNutri, Excluir remove o paciente das listas e a própria tela avisa que a ação não pode ser desfeita — não existe lixeira nem restauração. Quem sumiu continua tendo prontuário, e prontuário tem prazo de guarda definido por norma do conselho. Para tirar alguém da lista ativa, o caminho é o status Inativo.

Como sei quantos pacientes eu realmente acompanho hoje?

Pelo contador Ativos da tela Pacientes — desde que você mantenha o status das fichas em dia. O SimpleNutri não tem indicador de retenção, de inatividade nem de dias sem consulta em tela nenhuma, então esse contador só vale o que a sua manutenção da lista valer. Uma revisão trimestral separando alta, pausa e abandono é o que faz o número significar algo.

Vale a pena tentar trazer de volta quem abandonou?

Vale uma tentativa, curta e sem cobrança, feita cedo — dentro de poucas semanas, não seis meses depois. Depois disso, registre o resultado e arquive. Parte de quem some não volta, e insistir custa mais reputação do que a consulta recuperada vale. Encerrar com clareza também é parte do processo, e deixa a porta aberta para quem procurar você depois.

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Perguntas frequentes

Vale a pena para nutricionista aceitar convênio?Como saber, na anamnese, se o plano vai caber na rotina do paciente?Qual a diferença entre formulário de pré-consulta e de anamnese?Quantas vezes devo repetir cada medida?O paciente registra o próprio peso no portal do SimpleNutri?O paciente recebe aviso quando eu clico em Entregar Cardápio?

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