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Política de cancelamento e remarcação: a regra que você combina antes

Os quatro elementos de uma política de cancelamento que funciona, o texto pronto para adaptar, os três momentos de entrega e como abrir exceção sem virar precedente.

Quatorze e trinta. A consulta é às quinze. Chega a mensagem: “me desculpa, deu um problema aqui, consigo remarcar?”

Nesse momento você tem meio minuto para tomar uma decisão de agenda, de preço e de relacionamento ao mesmo tempo, com a pessoa esperando resposta e outro paciente prestes a entrar. É a pior condição possível para decidir qualquer coisa — e é exatamente onde a maioria dos consultórios decide isso, uma vez por semana, sempre um pouco diferente.

Política escrita não existe para punir ninguém. Existe para você não precisar decidir nada às quatorze e trinta.

A política inteira cabe em quatro decisões

Decisão Pergunta que ela responde
Prazo Com quanta antecedência dá para remarcar sem custo?
Dentro do prazo O que acontece quando o aviso chega a tempo?
Fora do prazo O que acontece quando não chega?
Limite Quantas remarcações cabem no acompanhamento?

Falte uma das quatro e a política vaza pela lacuna. A mais esquecida é a última, e ela é a que mais custa caro: sem limite de remarcações, uma regra impecável sobre prazo continua deixando um pacote de três meses se arrastar por oito.

Este texto é sobre o documento. As causas de falta e o que fazer com cada uma estão em como reduzir faltas e cancelamentos — aqui a gente escreve a regra.

O prazo é o tempo que você precisa para fazer algo com o horário

Não escolha 24 horas porque é o que todo mundo usa. Escolha pelo que você consegue fazer com um aviso.

Se você tem alguém para chamar, o prazo é o tempo de chamar essa pessoa e ela conseguir se organizar. Se não tem fila — e a maioria não tem —, o prazo devolve outra coisa, que também vale: a chance de você não atravessar a cidade, não abrir o consultório para uma consulta só, não preparar material que ninguém vai usar.

Vinte e quatro horas cobre a consulta de consultório comum. Quarenta e oito passa a fazer sentido quando existe deslocamento seu, quando o paciente vem de longe ou quando você prepara alguma coisa antes. Doze horas não serve como prazo de remarcação: serve como confirmação de presença, que é outra função.

Dentro do prazo, “sem custo” precisa ser sem custo mesmo

Este é o lado da política que quase ninguém escreve e que sustenta o resto. Se avisar com antecedência ainda der trabalho — mandar mensagem, esperar sua resposta entre atendimentos, receber três opções, negociar —, o paciente aprende que sumir é mais barato que avisar.

Dentro do prazo, remarcar tem que ser a coisa mais fácil do dia. Ofereça dois horários concretos na mesma resposta, em vez de “me diz quando você pode”. Do seu lado, remarcar é uma operação de trinta segundos: a opção fica no menu de três pontinhos da aba Consultas, dentro da ficha do paciente, e ao salvar o evento da Agenda se move junto.

Fora do prazo: escolha um nível, e só um

Nível Quando faz sentido
Nada acontece Consultório em formação, agenda com folga
Metade do valor Ticket alto, agenda cheia, primeira falta
Consulta considerada realizada Agenda disputada, política madura

Escolher dois níveis ao mesmo tempo — “depende do caso” — é o mesmo que não ter nível nenhum, porque quem decide o caso é sempre quem está pedindo.

Em pacote existe um quarto caminho, e é o mais simples de aplicar: a consulta perdida é descontada do pacote. Ninguém precisa fazer transferência nenhuma, ninguém precisa ouvir a palavra multa, e o efeito prático é idêntico. Se você vende pacote, comece por aí.

O limite de remarcações é o item que salva o pacote

Duas remarcações por acompanhamento cobrem imprevisto de verdade. A terceira não é imprevisto, é padrão, e o que ela pede não é outra data: é uma conversa sobre se aquele é o momento da pessoa.

Existe uma razão contratual para o limite, além da clínica. Quando o pacote tem Validade do Acompanhamento (dias) configurada, o prazo começa a contar no dia em que a venda é criada — não na primeira consulta. Um pacote de 90 dias remarcado quatro vezes expira com consultas ainda por entregar, e a conversa desagradável que você evitou lá atrás volta inteira, agora com a validade vencida no meio.

Três momentos de entrega, nenhum deles depois da falta

Na marcação. É onde a política é só informação, antes de existir qualquer problema. Se você usa agendamento online, o desenho do fluxo ajuda: o que chega pelo link é uma solicitação Pendente, e a consulta só passa a agendada quando você clica em Aprovar. Esse clique é o momento natural de mandar a mensagem com a política junto.

No lembrete. Uma linha basta: “se precisar remarcar, me avise até amanhã às 15h — sem custo”. A confirmação de agendamento e o lembrete automático do sistema cuidam do horário; a política é texto seu, e ela ganha muito quando aparece junto do lembrete, no momento em que a pessoa está decidindo se vai ou não.

No material de boas-vindas do pacote. Aqui ela cabe inteira, com as quatro decisões escritas. É o único lugar em que política longa é lida.

O texto, para adaptar

Cinco linhas resolvem, nesta ordem: motivo, saída fácil, regra, limite, exceção.

Seu horário fica reservado só para você, e por isso eu não consigo oferecê-lo a mais ninguém.

Precisando remarcar, me avise com 24 horas de antecedência — sem custo e sem burocracia.

Abaixo desse prazo, ou sem aviso, a consulta é considerada realizada.

No acompanhamento, dá para remarcar duas vezes. Na terceira, a gente conversa sobre o melhor momento para continuar.

Imprevisto grave existe e eu avalio caso a caso. É só me contar.

Três trocas que mudam o tom sem mudar a regra:

Em vez de Escreva
Não nos responsabilizamos Eu não consigo
Sob nenhuma hipótese Abaixo desse prazo
Infelizmente, será cobrada A consulta é considerada realizada

A exceção precisa existir, e precisa ser sua

Política sem exceção não sobrevive ao primeiro velório. O problema nunca é abrir exceção — é a exceção ser decidida pelo outro lado.

Três hábitos resolvem isso. O primeiro é abrir exceção por evento, não por insistência: internação, luto e acidente são motivo; três mensagens seguidas não são. O segundo é dizer em voz alta que aquilo é uma exceção — “dessa vez eu abro, porque é uma situação diferente” — porque exceção silenciosa vira regra nova. O terceiro é não responder na hora: “me dá uma hora que eu te respondo” custa nada e tira a decisão do calor, mesmo quando você já sabe qual vai ser.

E anote. Sem registro, a terceira exceção da mesma pessoa parece a primeira.

Quando a política precisa mudar

Uma vez por trimestre, conte duas coisas nas suas consultas do período: quantas foram remarcadas dentro do prazo e quantas fora.

Muitas remarcações dentro do prazo não são um problema — são a política funcionando, com a informação chegando cedo. Muitas fora do prazo, com você abrindo exceção em quase todas, significam uma de duas coisas: ou o prazo está longo demais para a vida dos seus pacientes, ou a regra existe no papel e não na prática.

Nos dois casos, o ajuste é o mesmo e é desconfortável: encurte a regra até o ponto em que você consiga cumpri-la sem exceção na maioria das vezes. Uma política de 48 horas cumprida metade das vezes vale menos que uma de 12 horas cumprida sempre.

Perguntas frequentes

O que precisa ter numa política de cancelamento de consulta de nutrição?

Quatro elementos, e nenhum deles é opcional. O prazo mínimo para remarcar sem custo, normalmente 24 ou 48 horas. O que acontece quando o aviso chega dentro desse prazo. O que acontece quando chega fora dele ou não chega. E quantas remarcações cabem em um mesmo acompanhamento. Faltando qualquer um dos quatro, a política vaza pela lacuna e cada caso vira uma negociação nova.

Qual prazo devo dar para o paciente remarcar sem custo?

O prazo certo é o tempo de que você precisa para fazer alguma coisa com aquele horário. Vinte e quatro horas é o padrão que funciona para consulta de consultório, porque ainda dá para oferecer a vaga a outra pessoa ou reorganizar o dia. Quarenta e oito horas faz sentido quando você se desloca ou prepara material antes. Doze horas não serve para nada além de avisar.

Posso cobrar a consulta quando o paciente cancela em cima da hora?

Pode, desde que a regra tenha sido combinada antes e entregue por escrito ao paciente. Cobrança que aparece depois do cancelamento soa como punição improvisada e quase nunca vale o valor recuperado. Combinada de antemão, com uma janela clara de remarcação sem custo, ela é aceita sem drama pela maioria das pessoas. O que não existe é cobrar uma regra que ninguém leu.

Quantas remarcações devo permitir por acompanhamento?

Duas por acompanhamento é um número que funciona: cobre imprevisto real sem deixar um pacote de três meses virar oito. A partir da terceira, a conversa deixa de ser sobre agenda e passa a ser sobre o momento da pessoa. Esse limite é o elemento mais esquecido das políticas e o que mais protege pacote com prazo de validade contratado.

Onde eu entrego a política de cancelamento para o paciente?

Em três momentos, e nenhum deles é depois da primeira falta. Na confirmação da primeira consulta, quando ela é só informação. No lembrete que antecede o atendimento, em uma linha. E no material de boas-vindas de quem compra pacote, onde ela pode aparecer inteira. Política entregue depois de um problema soa como resposta pessoal, mesmo escrita com educação.

Como escrever a política de cancelamento sem soar hostil?

Invertendo a ordem natural. Comece pelo motivo (o horário fica reservado só para aquela pessoa), continue pela saída fácil (remarcar com antecedência não custa nada) e deixe a regra para o fim, sem adjetivo e sem "infelizmente". Palavras que endurecem o texto sem acrescentar informação — "não nos responsabilizamos", "sob nenhuma hipótese" — podem ser cortadas sem prejuízo nenhum.

Devo abrir exceção quando o paciente insiste?

Abra exceção por evento, nunca por insistência. Internação, velório e acidente são motivo; ligar três vezes seguidas não é. A diferença prática está em quem decide: se a exceção sai porque você avaliou o caso, a política continua de pé; se sai porque a pessoa pressionou, você acabou de ensinar qual é o caminho. Diga em voz alta que aquilo é exceção e anote.

O SimpleNutri avisa o paciente quando eu remarco a consulta?

Não. Mudar a data e o horário pelo menu Remarcar move o evento na Agenda, mas não dispara nenhuma mensagem para o paciente. E o lembrete automático sai uma única vez por consulta: se ele já foi enviado com o horário antigo, não é reenviado com o novo. A confirmação da mudança é sua, por WhatsApp ou e-mail, sempre.

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Vale a pena para nutricionista aceitar convênio?Como saber, na anamnese, se o plano vai caber na rotina do paciente?Qual a diferença entre formulário de pré-consulta e de anamnese?Quantas vezes devo repetir cada medida?O paciente registra o próprio peso no portal do SimpleNutri?O paciente recebe aviso quando eu clico em Entregar Cardápio?

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