Vendeu o pacote e o paciente parou na terceira sessão
Por que pacote vendido e não usado é passivo, não receita, como achar os que pararam e o que combinar antes sobre validade, vencimento e resgate.
O pacote de quatro consultas foi vendido em março. A primeira aconteceu, a segunda aconteceu, a terceira foi remarcada duas vezes e a quarta nunca foi marcada. Passaram quatro meses e ninguém falou mais nisso.
Do ponto de vista do extrato, está tudo certo — o dinheiro entrou inteiro em março. Do ponto de vista do negócio, você tem uma dívida de trabalho em aberto, com prazo indefinido, com alguém que já pagou. É a única forma de dívida que a gente comemora quando faz.
Receita que entrou não é entrega que saiu
Vale separar duas coisas que a maior parte dos consultórios trata como uma só.
Caixa é o dinheiro que entrou no mês. Resultado é o dinheiro que entrou menos o trabalho que ele obriga. Quando você vende um pacote de quatro consultas, o caixa recebe tudo hoje e o resultado só é conhecido quando a quarta consulta acontecer — porque é ela que consome uma hora da sua agenda futura sem gerar receita nova.
Enquanto as sessões não são usadas, elas ficam num estado esquisito: já pagas, ainda devidas. Em contabilidade isso tem nome, é passivo. Num consultório individual, aparece com outro nome: o mês em que todo mundo resolve voltar ao mesmo tempo e você trabalha uma semana inteira sem faturar um real.
A conta do trimestre cheio
Suponha dez pacotes de quatro consultas vendidos num trimestre, a R$ 700 cada. São R$ 7.000 na Receita Total e quarenta consultas prometidas.
Agora suponha que, na média, cada paciente usou duas e meia. Você entregou 25 consultas e ficou devendo 15. A R$ 175 por consulta, são R$ 2.625 de trabalho já pago parados na sua agenda futura.
Quinze consultas, num consultório que atende quarenta por mês, equivalem a quase duas semanas de trabalho. Se elas se concentrarem num mês só, esse mês vai ter agenda cheia, você exausta e faturamento novo perto de zero. Se elas nunca acontecerem, o dinheiro fica — mas a chance de indicação e de renovação se foi junto com o paciente.
Nas duas pontas, o dado que importa é o mesmo: sessões vendidas contra sessões usadas. Quem acompanha só a receita não enxerga nenhuma das duas.
O pacote parado esconde um problema de retenção
Existe uma leitura ainda mais desconfortável. Pacote parado quase nunca é problema de agenda. É retenção fantasiada de logística.
O paciente que remarca duas vezes e some não está sem horário. Ele está sem resultado visível, sem próxima etapa clara ou constrangido por não ter feito o combinado. A remarcação é a forma educada de sair.
Isso muda o que você faz com a informação. Uma lista de pacotes parados não é uma lista de pendências administrativas — é a sua lista de risco. E ela é mais confiável que qualquer sensação, porque o paciente que vai sumir avisa com a agenda antes de avisar com palavras. Os sinais estão descritos em reengajar quem sumiu, e o que evita chegar lá é o desenho da venda.
O desenho que previne: prazo, contagem e combinado
Três decisões tomadas antes da venda resolvem a maior parte dos casos.
Prazo declarado. No cadastro do produto existe o campo Validade do Acompanhamento (dias). Preencha 90 num pacote de quatro consultas e a venda passa a exibir até dd/mm/aaaa na tela de Vendas. Deixar em branco significa o que está escrito: acompanhamento sem validade, pacote que nunca expira. O passo a passo está em como cadastrar consultas, pacotes e planos.
Contagem visível. Na tela de Vendas, o pacote mostra uma barra com um texto do tipo 3/4 consultas, e ela se lê ao contrário do instinto: restam três de quatro. O número avança quando você marca como Concluída uma consulta vinculada àquela venda. Consulta agendada solta, sem venda escolhida no campo Venda do evento, não desconta nada — se a barra parece travada, é quase sempre isso.
Só que esse número existe do seu lado da tela. O portal do paciente mostra evolução, cardápios, consultas e checkpoints, e não exibe saldo de sessões. Quem faz a contagem existir para o paciente é você, e o gesto que resolve leva cinco segundos: dizer, ao fim de cada consulta, quantas faltam, e marcar a próxima ali mesmo.
Combinado dito antes. O que acontece quando o prazo vence precisa estar escrito antes da primeira venda. O campo Descrição do produto é exibido para o paciente na sua página de agendamento — é um bom lugar para a regra, e repeti-la na primeira consulta custa uma frase.
A conferência que ninguém faz
Não existe relatório de pacote parado no SimpleNutri. Também não existe métrica de dias sem consulta, nem de inatividade. A conferência é manual, e é rápida o suficiente para caber uma vez por mês.
Encontrar os pacotes parados
Filtre as vendas pagas
Em
Vendas, escolha o statusPago. Esse filtro é aplicado no sistema e traz as vendas pagas mais recentes.Separe os pacotes
Aplique o filtro de tipo
Pacote. Ele funciona só sobre as vendas já carregadas, então trate o resultado como uma amostra do período recente, não como a lista completa.Anote quem tem duas ou mais sobrando
Leia a barra de cada venda.
3/4 consultassignifica três restantes. Escreva os nomes num papel — a tela não guarda essa lista.Confira a última consulta de cada um
Em
Consultas, limpe o campoDee mudeItens por páginapara 100. Procure o nome e veja a data da última consulta concluída.Marque quem sumiu
Sessão sobrando, última consulta há mais de seis semanas e nada agendado à frente. Esse é o pacote parado, e a lista costuma ser curta.
O passo quatro é o que mais atrapalha quem tenta pela primeira vez: a lista de consultas abre já filtrada com o campo De na data de hoje, então o histórico fica invisível até você limpar esse campo. E a busca por nome só enxerga os cards da página exibida — por isso vale aumentar os itens por página antes de digitar qualquer nome.
Seis semanas é um corte arbitrário, e é para ser. Escolha o seu a partir do intervalo normal do seu acompanhamento — se você atende de quinze em quinze dias, um mês já é sinal; se atende mensalmente, dois meses.
Há ainda um efeito colateral que passa despercebido. Os checkpoints de acompanhamento só são enviados enquanto a venda daquele paciente está ativa. Quando o pacote acaba ou vence, os e-mails de check-in param — sem aviso, sem tela que informe. O paciente que já estava se afastando simplesmente deixa de ouvir você.
O pacote venceu e sobraram sessões
Aqui não existe resposta única, existe uma exigência: a política precisa ser anterior ao conflito.
As três saídas mais usadas são estender o prazo uma única vez, condicionado a remarcar na hora; converter o saldo em outro serviço seu; ou encerrar, com aviso mandado antes de vencer, não depois. Qualquer uma funciona. O que não funciona é decidir no momento em que o paciente reclama, porque aí sua decisão parece arbitrária mesmo quando é generosa — e a próxima pessoa vai ouvir uma versão diferente.
Escreva a regra em uma frase, coloque na Descrição do produto e diga em voz alta na primeira consulta. Regra combinada não precisa ser defendida.
Resgate não é cobrança
A conversa com quem tem pacote parado é diferente de toda outra conversa de dinheiro, e a diferença é decisiva: essa pessoa já pagou. Você não está pedindo nada. Está devolvendo o que ela comprou.
Isso muda o texto inteiro. Nada de “você ainda tem sessões pendentes”, que soa a cobrança de banco. Funciona melhor lembrar do valor que ficou parado do lado dela: “Ficaram duas consultas do seu acompanhamento e elas continuam suas. Tenho quinta às 9h e sexta às 16h — quer uma delas?”
Três coisas fazem essa mensagem funcionar. Ela oferece horário concreto em vez de perguntar se a pessoa quer voltar. Não cobra explicação pelo sumiço, porque explicação constrange e constrangimento afasta. E dá saída digna — se a pessoa preferir encerrar, ela precisa poder dizer isso sem se sentir devedora.
Se não vier resposta, mande uma vez só e pare. Insistência transforma um paciente inativo em alguém que não volta nunca mais.
E fica a regra que previne quase tudo isso, que não custa nada e acontece dentro da sala: nenhuma consulta de pacote termina sem a próxima marcada. Não é técnica de retenção nem estratégia comercial. É a diferença entre um acompanhamento e uma sequência de consultas soltas que por acaso foram pagas juntas.
Perguntas frequentes
Pacote vendido e não usado conta como faturamento?
Como caixa, sim, o dinheiro entrou. Como resultado, não — cada sessão não usada é trabalho que você ainda vai ter, sem receita nova associada. Por isso vale acompanhar duas coisas separadas: quanto entrou no período e quantas sessões vendidas ainda faltam entregar. Um consultório com muitos pacotes parados parece saudável no extrato e aperta três meses depois.
Como coloco validade num pacote no SimpleNutri?
No cadastro do produto, no campo Validade do Acompanhamento (dias). Preencha 90 e a venda desse produto passa a exibir a data limite como até dd/mm/aaaa na tela de Vendas. Deixar em branco ou zero significa acompanhamento sem prazo, e o pacote nunca expira. A contagem começa no dia em que a venda é criada, não na primeira consulta.
A validade do pacote conta a partir da primeira consulta?
Não. A contagem começa na data de criação da venda. Isso importa em dois casos comuns — pacote vendido em dezembro para começar em fevereiro, e pacote fechado semanas antes de o paciente conseguir a primeira data. Nos dois, parte da validade é consumida antes do primeiro atendimento. Se você vende com antecedência, registre a venda mais perto do início ou use um prazo maior.
O que quer dizer 3/4 consultas na barra do pacote?
Que ainda restam três consultas de um pacote de quatro. A barra da tela de Vendas mostra o que falta entregar, não o que já foi entregue, e é o contrário do que o instinto diz. O número avança quando você marca como Concluída uma consulta vinculada àquela venda. Pacotes de uma consulta só não exibem barra nenhuma.
A barra do pacote não anda mesmo com o paciente vindo. Por quê?
Quase sempre porque as consultas foram agendadas soltas, sem venda vinculada. O desconto só acontece quando o evento da Agenda foi criado com a venda escolhida no campo Venda e a consulta é marcada como Concluída. Consulta agendada sem esse vínculo acontece normalmente e não desconta nada do pacote. Vale conferir isso antes de concluir que o contador está errado.
O paciente consegue ver quantas sessões do pacote ainda tem?
Não pelo portal de acompanhamento. O portal mostra evolução, cardápios, consultas, checkpoints e chat, mas não exibe saldo de sessões do pacote. O contador com as consultas restantes fica na sua tela de Vendas. Fazer esse número existir para o paciente é trabalho seu — dizer quantas faltam ao fim de cada consulta e marcar a próxima ali mesmo resolve.
O que fazer quando o pacote vence e sobraram sessões?
Vale o que estava combinado antes da venda, e é por isso que a regra precisa estar escrita na descrição do produto. As saídas mais usadas são estender uma única vez mediante remarcação imediata, converter o saldo em outro serviço ou encerrar com aviso prévio. O que não funciona é decidir na hora — a política inventada no momento do conflito sempre parece arbitrária.
Existe algum alerta de pacote parado no SimpleNutri?
Não. Não existe relatório de pacote parado, métrica de dias sem consulta nem aviso de venda prestes a vencer, nem para você nem para o paciente. O selo Expirado existe entre os status e no filtro de Vendas, mas nenhum botão da interface coloca uma venda nesse estado. A conferência é manual, e leva cerca de dez minutos por mês.
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