Atender empresa: nutrição corporativa, contrato e o que muda quando quem paga é PJ
Como precificar um lote de atendimentos sem multiplicar o preço particular, o que pode e o que não pode voltar para o RH, e por que o caixa é o risco real do contrato.
O convite chega pelo RH e parece só um consultório maior: em vez de captar um paciente por vez, alguém entrega quarenta de uma vez. A conta mental é imediata e quase sempre errada.
Atender empresa não é atender mais gente. É um outro negócio, com quatro diferenças que aparecem todas ao mesmo tempo: quem contrata não é quem é atendido, o preço é por lote, o pagamento tem prazo e burocracia, e o sigilo fica bem mais delicado.
Duas pessoas para satisfazer, com critérios opostos
Quem assina é o RH. Quem senta na cadeira é o funcionário. Eles querem coisas diferentes, e o contrato só renova se as duas forem entregues.
A empresa quer adesão e evidência: quantas pessoas usaram, o programa está sendo percebido, dá para mostrar alguma coisa na reunião de resultados. O funcionário quer o oposto da evidência — quer saber que o que ele contar ali não chega ao chefe.
Isso tem uma consequência prática que muda o desenho do serviço: você precisa de um indicador que satisfaça o RH sem tocar em dado individual. Adesão resolve isso melhor do que qualquer outra métrica. É um número que a empresa entende, que justifica a renovação e que não revela nada sobre ninguém.
Os três modelos, e o que cada um vende de verdade
| Modelo | O que a empresa compra | Risco principal |
|---|---|---|
| Ação pontual | Um evento no calendário | Não gera recorrência |
| Lote de atendimentos | Um número de consultas | Sobra do lote no fim |
| Programa contínuo | Um período de serviço | Exige entrega constante |
A ação pontual — palestra, semana de saúde, oficina — rende pouco e serve como porta. Cobre-a pelo que ela realmente custa: preparo, deslocamento e o dia em que você não atende. Palestra barata dá trabalho igual e ancora o preço de tudo que vier depois.
O lote é o formato mais comum e o mais mal contratado. A empresa compra “quarenta atendimentos” e o combinado silencioso é que ela pague por quarenta e use vinte e dois.
O programa contínuo, cobrado por período, é o melhor para o seu caixa porque tem receita previsível e renovação prevista. Também é o mais difícil de vender na primeira vez — normalmente vem depois de um lote que funcionou.
Preço não é o particular multiplicado por N
O erro clássico é pegar o preço da consulta particular, aplicar 30% de desconto pelo volume e mandar a proposta. Some duas coisas antes de decidir qualquer desconto: o que cai e o que sobe.
Cai o custo de captação — você não gastou nada para conseguir aqueles quarenta atendimentos — e cai o custo de agenda ociosa, porque o bloco vem cheio.
Sobem as horas que só existem por causa do contrato. Faça a conta com números seus. Suponha um contrato de 40 consultas ao longo de quatro meses, atendidas em oito visitas à empresa:
| Item | Horas |
|---|---|
| 8 deslocamentos, ida e volta | 12 |
| 4 reuniões com o RH | 4 |
| 4 relatórios de adesão | 6 |
| Coordenação de agenda e faltas | 6 |
| Total não faturável | 28 |
Vinte e oito horas divididas por 40 consultas dão 42 minutos extras por atendimento. Se a sua hora de trabalho vale R$ 160 — e o custo real da sua hora é uma conta que vale refazer antes desta —, o contrato carrega cerca de R$ 112 de custo adicional por consulta.
Nesse cenário, um desconto de 30% sobre uma consulta de R$ 200 entrega R$ 140 e consome R$ 112 em horas de gestão. Sobram R$ 28 por atendimento para pagar o resto do consultório. O contrato não é ruim: o desconto é que foi decidido antes da conta.
Sigilo: a empresa paga, o dado é do funcionário
Este é o ponto em que um contrato bom vira um problema sério, e ele não se resolve com boa intenção.
O que volta para o contratante é indicador agregado. Número de atendimentos realizados, adesão em relação ao lote, temas gerais trabalhados no conjunto do grupo. O que nunca volta é nome, diagnóstico, medida, resultado de exame, conteúdo de consulta — e, o pedido mais frequente de todos, lista de quem compareceu.
A lista de presença parece inofensiva e não é. Saber que fulano procurou atendimento nutricional já é informação sobre a saúde dele, e é justamente esse tipo de dado que o RH não deveria ter. Se a empresa precisa da presença para controlar liberação de horário, negocie um formato que informe apenas o total por data.
Existe ainda um limite estatístico que quase ninguém aplica: agregado de grupo pequeno não é agregado. “Três das quatro pessoas do setor financeiro relataram compulsão noturna” identifica gente. Combine um piso — nenhum recorte com menos de um número mínimo de pessoas — e escreva esse piso no contrato.
Diga isso duas vezes: para o RH, por escrito, antes de assinar; e para o funcionário, em voz alta, nos primeiros dois minutos da primeira consulta. A segunda é a que faz o programa funcionar, porque ninguém conta nada verdadeiro para alguém que a empresa contratou sem essa garantia.
O contrato precisa cobrir oito coisas
Escopo e formato do atendimento. Número de encontros e prazo de validade do lote. Preço e prazo de pagamento. Quem fornece sala, balança e material. O que acontece com atendimento não utilizado. Como a falta do funcionário é contada — se consome ou não uma unidade do lote. Cláusula de sigilo com a lista explícita do que é reportado. Condições de reajuste e de rescisão.
Modelo genérico baixado da internet cobre as três primeiras e ignora as cinco seguintes, que são exatamente as que geram conflito. Vale pagar a revisão de um advogado uma vez: o texto serve para todos os contratos seguintes.
O caixa é o risco que ninguém antecipa
Empresa não paga como paciente. Entre você entregar o documento fiscal, ele passar pela aprovação interna e entrar no ciclo de pagamento, trinta a sessenta dias é comum — e o ciclo tem data fixa, então perder o corte por um dia joga tudo para o mês seguinte.
Some a isso a parte tributária: quando quem paga é pessoa jurídica, o tratamento do imposto muda em relação ao recebimento de pessoa física, e pode haver retenção na fonte. Antes de assinar, confirme com o contador como esse contrato específico será tributado no seu regime atual.
A regra prática é uma só: contrato corporativo não paga o custo fixo do mês corrente. Negocie uma parcela na assinatura, trate o restante como receita futura e mantenha o fluxo de caixa rodando com a receita particular. Consultório que remaneja a agenda inteira para caber uma empresa e depois espera sessenta dias pelo primeiro pagamento passa por um aperto que não tinha antes de ganhar o contrato.
Como isso se organiza no SimpleNutri
Comece pela limitação, porque ela é estrutural: não existe cadastro de empresa. Nenhum campo de CNPJ, razão social ou contratante, nenhum agrupamento por cliente PJ, nenhuma emissão de contrato ou nota. Os funcionários entram como pacientes comuns e o contrato vive fora do sistema.
O que dá para modelar é o produto. Cadastre um produto para o contrato — algo como “Consulta Corporativa — Empresa X” — com três decisões importantes:
Duração da Consulta, que aceita de 15 a 120 minutos e é o que dimensiona o bloco na agenda. Atendimento em empresa costuma ser mais curto que o de consultório; um produto de 30 minutos faz a agenda respeitar isso sem você ajustar consulta por consulta.Validade do Acompanhamento (dias), que é onde o prazo do lote passa a existir dentro do sistema. A contagem começa no dia em que a venda é criada.Produto Públicodesligado. Um produto só aparece na sua página pública de agendamento quando estáAtivoePúblicoao mesmo tempo. Desligando o segundo, o preço negociado com a empresa não fica visível para o público — e continua servindo para registrar as vendas e agendar internamente.
Registre uma venda por funcionário atendido, com esse produto. É trabalhoso e é o que faz o contrato aparecer no seu faturamento. Na tela de Vendas, o cartão Pendente passa a ser o que a empresa ainda não pagou.
Duas honestidades sobre o que essa tela não faz: não existe filtro por período, então o fechamento mensal continua sendo anotar o valor de Receita Total no último dia do mês e subtrair a anotação anterior; e não existe nenhum relatório agregado por contratante — o relatório de adesão que você vai entregar ao RH é montado por você, fora do sistema. Vale lembrar também que um contrato com dezenas de funcionários não cabe no plano gratuito, que limita pacientes ativos.
E bloqueie o dia na empresa na sua Agenda logo que ele for combinado. Qualquer evento não cancelado retira aqueles horários da sua página pública, o que impede a colisão mais chata de todas: o particular que agenda pelo link justamente na quinta em que você estará do outro lado da cidade.
Quando aceitar e quando recusar
Dois critérios bastam. Aceite quando o contrato preenche horário que hoje está vazio e quando o seu caixa aguenta sessenta dias sem aquele dinheiro. Recuse — ou renegocie preço e formato — quando ele exige desmontar a agenda particular que já paga suas contas.
A pergunta final não é “quanto isso soma”. É “o que isso desloca”. Um contrato que substitui atendimento particular pelo mesmo valor bruto é uma piora disfarçada de crescimento, porque veio com vinte e oito horas de gestão que o particular não tinha.
Perguntas frequentes
Como precificar um contrato de nutrição corporativa?
Parta do seu preço particular, some as horas que só existem por causa do contrato — deslocamento, reuniões com o RH, montagem de relatório, coordenação de agenda — e divida esse total pelo número de atendimentos do lote. O resultado é quanto o contrato custa a mais por consulta. Só depois disso decida o desconto de volume, se ainda houver espaço para algum.
Quais modelos de atendimento em empresa existem?
Três, na prática. A ação pontual, como palestra ou semana de saúde, que rende pouco e serve de porta de entrada. O lote de atendimentos, em que a empresa compra um número de consultas para os funcionários usarem em um prazo. E o programa contínuo, cobrado por período, que é o melhor dos três para o seu caixa porque tem receita previsível e renovação prevista em contrato.
O que a empresa pode saber sobre os atendimentos dos funcionários?
Indicador agregado, e só. Quantos atendimentos foram realizados, qual a adesão em relação ao lote contratado, temas gerais trabalhados no grupo. Nunca nome, diagnóstico, medida, exame ou presença individual. Dado de saúde é dado pessoal sensível e o sigilo profissional é regra do conselho — escreva no contrato exatamente o que será reportado e leve o caso concreto ao CRN e a um advogado.
O que precisa estar escrito no contrato com a empresa?
Escopo e formato do atendimento, número de encontros e prazo de validade do lote, preço e prazo de pagamento, quem fornece sala e equipamento, o que acontece com atendimento não utilizado, como são tratadas as faltas do funcionário, cláusula de sigilo com a lista do que é reportado, e as condições de reajuste e rescisão. Modelo genérico da internet não cobre os quatro últimos.
Quanto tempo a empresa costuma demorar para pagar?
Bem mais que o paciente particular. Entre emitir o documento, ele ser aprovado internamente e cair no ciclo de pagamento da empresa, é comum passar de trinta a sessenta dias. Por isso o contrato corporativo não deve financiar o custo fixo do mês corrente. Negocie uma parcela na assinatura e trate o restante como receita futura, não como caixa de hoje.
Dá para cadastrar uma empresa como cliente no SimpleNutri?
Não. O SimpleNutri não tem cadastro de empresa, campo de CNPJ nem de razão social, e não gera contrato nem nota fiscal. Os funcionários entram como pacientes comuns e o contrato vive fora do sistema. O que dá para modelar dentro dele é o produto do contrato, com o preço negociado, a duração de consulta que você vai praticar e o prazo do lote.
Como impedir que o produto do contrato apareça na minha página de agendamento?
Ao cadastrar o produto, deixe a chave Produto Público desligada. Um produto só aparece na página pública de agendamento quando está Ativo e Público ao mesmo tempo. Com Público desligado ele continua funcionando internamente, para você registrar as vendas do contrato e agendar pela Agenda, sem que ninguém de fora veja o preço negociado com a empresa.
O que fazer com os atendimentos do lote que a empresa não usou?
Decidir antes, no contrato, porque essa é a discussão mais desagradável do fim do período. As três saídas usuais são expirar sem devolução, converter em outro formato como palestra, ou transferir uma parte para o ciclo seguinte mediante renovação. Qualquer uma funciona; o que não funciona é deixar em aberto e negociar quando a conta já estiver fechada.
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