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Como calcular o ROI do consultório com números que você já tem

Três contas de retorno que cabem numa planilha simples — canal de captação, tipo de atendimento e ferramenta — com exemplo numérico em cada uma.

ROI virou palavra de curso de marketing, o que é uma pena, porque a conta em si é de quarta série: o que voltou menos o que saiu, dividido pelo que saiu.

O que trava o cálculo num consultório não é a fórmula. É que quase ninguém tem os números na mão — e, quando tem, usa receita bruta no lugar de margem e olha só a primeira consulta. Aí o resultado mente com precisão.

Três contas resolvem a maior parte das decisões de um consultório individual. Nenhuma delas precisa de mais que uma planilha com cinco colunas.

Antes das três contas: quanto vale um paciente para você

Todas as contas de captação dependem deste número, então ele vem primeiro.

Olhe os pacientes que entraram e já encerraram o acompanhamento nos últimos doze meses. Quantos atendimentos cada um fez, em média? Suponha 2,4 atendimentos a R$ 210. A receita por paciente é R$ 504.

Só que receita não é o que você compara com custo. Desconte o que custa produzir esses atendimentos: usando o custo por hora de um consultório individual, a primeira consulta sai por R$ 162,50 e cada retorno por R$ 97,50.

R$ 504 − R$ 162,50 − (1,4 × R$ 97,50) = R$ 205 de margem por paciente.

É esse R$ 205 que entra nas contas de captação. Não os R$ 210 da consulta, não os R$ 504 de receita.

Conta 1: retorno por canal de captação

Fórmula: (margem gerada pelo canal − custo do canal) ÷ custo do canal.

A parte que quase todo mundo pula é contar as próprias horas como custo. Conteúdo orgânico não é grátis: é a sua hora, e a sua hora tem preço.

Um trimestre de exemplo, com margem de R$ 205 por paciente:

Canal Custo no mês Retorno
Instagram (6h do seu tempo) R$ 390 +5%
Indicação de pacientes R$ 60 +925%
Anúncio pago R$ 300 −32%

O Instagram trouxe dois pacientes (margem de R$ 410) e consumiu seis horas valorizadas a R$ 65. Empatou com sobra simbólica. A indicação trouxe três pacientes e custou R$ 60 em lembranças e no tempo de pedir. O anúncio trouxe um paciente e custou R$ 300.

A leitura errada é “corte o anúncio e o Instagram”. A leitura certa é olhar o denominador. O Instagram não tem problema de resultado, tem problema de custo: seis horas por mês para dois pacientes. Com três horas e o mesmo resultado, o retorno pularia para mais de 100%. Já para o anúncio, a pergunta é se a janela de medição foi suficiente — e se ele merece um teste com orçamento e prazo definidos antes de virar despesa fixa.

A indicação, com retorno absurdo e custo quase zero, é o canal que quase ninguém trabalha de propósito. É também o único que escala com o que você já faz todo dia.

Conta 2: retorno por tipo de atendimento

Fórmula: valor cobrado ÷ horas totais que aquele atendimento consome.

Aqui a unidade não é o paciente, é a hora — porque hora é o recurso que acaba. Compare o resultado com o seu custo por hora (R$ 65 no exemplo) e a hierarquia aparece sozinha:

Tipo de atendimento Horas consumidas Receita por hora
Primeira consulta presencial 2,5 R$ 84
Retorno presencial 1,5 R$ 140
Retorno online 1,2 R$ 158
Oficina em grupo, 8 pessoas 2,5 R$ 192

As linhas usam R$ 210 na consulta presencial, R$ 190 no retorno online e R$ 60 por pessoa na oficina de oito participantes. Troque pelos seus valores e pelas suas horas medidas.

A primeira consulta é o atendimento que menos rende por hora. Ela carrega anamnese, cardápio do zero e cadastro — e é exatamente o que a maioria dos consultórios tenta vender mais.

Isso não significa parar de captar. Significa que o negócio melhora mais rápido fazendo o paciente voltar do que fazendo o paciente entrar. Cada retorno usa uma estrutura que já foi paga na entrada. É a mesma matemática que sustenta o pacote a preço cheio, e é o motivo pelo qual descobrir por que o paciente não volta rende mais que qualquer campanha.

Sobre a oficina: os R$ 192 por hora valem da segunda edição em diante. Na primeira, o preparo consome três ou quatro horas extras e o retorno por hora fica abaixo do de uma consulta comum. Formato novo tem custo de estreia, e ele precisa aparecer na conta.

Conta 3: retorno de uma ferramenta ou investimento

Fórmula: (receita destravada + tempo economizado, quando ele tem destino − custo) ÷ custo.

Esta é a conta em que mais se mente, quase sempre para si mesma. O padrão é multiplicar horas economizadas pelo custo por hora e chegar a um número enorme.

Suponha uma assinatura de R$ 90 por mês que economiza 20 minutos por paciente atendido. Com 40 atendimentos, são cerca de 13 horas por mês. A 65 reais a hora, R$ 845. Retorno de mais de 800%.

Esse número é fantasia, a menos que você tenha demanda esperando para ocupar essas 13 horas. Sem demanda, a hora liberada não vira receita — vira jantar em casa, o que tem valor real e não entra em planilha de retorno.

A conta honesta separa as duas partes:

Receita destravada é o que muda de fato no faturamento. Confirmação automática que derruba as faltas de quatro para duas por mês recupera R$ 420. Retorno agendado antes de o paciente sair da sala vira encontro que aconteceria daqui a nunca. Venda registrada na hora é venda que não some.

Tempo economizado só entra pelo valor cheio se você vai preencher as horas com atendimento. Se não vai, entre com zero e julgue a ferramenta pela primeira parte.

No exemplo conservador — só as duas faltas evitadas, tempo economizado valorizado a zero — o retorno é de (420 − 90) ÷ 90, ou seja, 367%. Já é uma decisão fácil, e é um número em que você pode confiar.

Os três erros que anulam qualquer uma das contas

Janela curta demais. Quem vê um conteúdo de nutrição hoje agenda em algumas semanas, e o valor daquele paciente só aparece depois do primeiro retorno. Julgue captação em 60 a 90 dias. Quinze dias mede impaciência, não retorno.

Atribuição pelo último clique. A pessoa viu você por indicação de uma amiga, acompanhou o perfil por dois meses e clicou no anúncio. Se você credita tudo ao anúncio, vai cortar o que funcionou. Pergunte “como você chegou até mim” com a pergunta aberta e aceite resposta dupla.

Custo do seu tempo fora da conta. Sem ele, todo canal orgânico parece infinitamente lucrativo e você acaba trabalhando de graça no lugar mais caro do negócio.

Os cinco números para começar a registrar hoje

Nada aqui exige sistema novo. Exige constância de anotação no dia, porque no fim do mês a informação já não existe.

  1. Origem declarada de cada paciente novo, com as palavras dele.
  2. Data da primeira consulta, para fechar a janela de medição.
  3. Receita acumulada por paciente, que é o que sustenta o valor de vida — e sai sozinha se você registra as vendas e acompanha o faturamento em vez de contar de cabeça.
  4. Número de encontros que cada pessoa fez antes de encerrar.
  5. Custo mensal de cada canal, incluindo as suas horas.

Em três meses você tem base para a primeira conta. Em seis, para as três. E vai descobrir o de sempre: o canal que você mais alimenta raramente é o que mais rende, e o atendimento que você menos valoriza costuma ser o que paga a conta.

Perguntas frequentes

Como calcular o ROI do consultório?

A fórmula é a margem gerada menos o custo, dividido pelo custo, e o resultado sai em porcentagem. O que muda é o recorte: você pode calcular o retorno de um canal de captação, de um tipo de atendimento ou de uma ferramenta. Em todos os casos, use margem (receita menos o custo de produzir aquilo) e não receita bruta, senão o número engana.

O que é valor de vida do paciente?

É quanto um paciente gera ao longo de todo o relacionamento com o consultório, não só na primeira consulta. Se em média cada pessoa faz 2,4 atendimentos a R$ 210, a receita por paciente é R$ 504 — mais do que o dobro do que aparece se você olhar apenas a consulta de entrada. Esse número é o que torna possível avaliar quanto vale gastar para captar.

Como saber qual canal traz mais paciente?

Pergunte a origem a cada pessoa que agenda e registre a resposta no mesmo dia, antes que ela se perca. Depois compare a margem gerada por cada canal com o que aquele canal custou, incluindo o seu tempo. Sem a pergunta na entrada, qualquer conclusão sobre canal é palpite — e o canal que parece funcionar costuma ser só o mais visível.

Vale a pena continuar postando no Instagram se ele traz poucos pacientes?

Depende de quantas horas ele consome. Seis horas por mês valorizadas a R$ 65 custam R$ 390 — se isso traz dois pacientes com margem de R$ 205 cada, o retorno é positivo, porém magro. A decisão não é parar ou continuar, é ajustar o custo: menos horas, formato mais rápido, ou conteúdo direcionado a quem já está pronto para agendar.

Como medir o retorno de um software de gestão?

Some o que ele destrava em receita (faltas evitadas, retornos que aconteceram, vendas que não se perderam) e só depois considere o tempo economizado. Valorize a hora liberada pelo seu custo por hora apenas se você tem demanda para preencher essas horas com atendimento. Sem demanda, a economia de tempo é qualidade de vida — real, mas não é receita.

Qual tipo de atendimento dá mais retorno por hora?

Na maioria dos consultórios, o retorno rende mais por hora que a primeira consulta, porque consome menos tempo de produção com o mesmo preço. Atendimentos em grupo rendem mais ainda a partir da segunda edição, quando o preparo já está feito. Calcule dividindo o valor cobrado pelas horas totais que aquele atendimento consome, incluindo as horas fora da sala.

Em quanto tempo devo avaliar o retorno de um anúncio?

Use uma janela de 60 a 90 dias. Quem vê um anúncio de nutrição raramente agenda no mesmo dia, e o valor daquele paciente só aparece depois do primeiro retorno. Avaliar em quinze dias faz você desligar campanhas que estavam funcionando e manter as que só pegaram quem já ia agendar de qualquer forma.

Quais números preciso registrar para calcular o ROI?

Cinco: a origem declarada de cada paciente novo, a data da primeira consulta, a receita acumulada por paciente, o número de encontros que ele fez e o custo mensal de cada canal (incluindo suas horas). Nenhum deles exige sistema sofisticado — uma planilha com cinco colunas resolve, desde que seja preenchida no dia, e não no fim do mês.

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Perguntas frequentes

Vale a pena para nutricionista aceitar convênio?Como saber, na anamnese, se o plano vai caber na rotina do paciente?Qual a diferença entre formulário de pré-consulta e de anamnese?Quantas vezes devo repetir cada medida?O paciente registra o próprio peso no portal do SimpleNutri?O paciente recebe aviso quando eu clico em Entregar Cardápio?

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