Como ler o score do acompanhamento e o que fazer com cada faixa
O que a nota de 0 a 10 do check-in mede de verdade, a conduta para cada faixa, por que a tendência vale mais que o número e quando não aparece score nenhum.
Chega uma nota: 6,4.
A pergunta seguinte parece boba e não é. Um número de 0 a 10 resumindo a semana de alguém só vale alguma coisa se existir uma conduta ligada a cada faixa. Sem isso, ele vira mais um dado bonito no painel — olhado toda segunda, comentado com ninguém, usado nunca.
Este texto é sobre transformar essa nota em decisão. Começa por saber o que ela mede, que é menos do que a maioria supõe.
O que a nota mede, e o que ela não mede
O score é uma média ponderada das perguntas pontuáveis do check-in, numa escala de 0 a 10. Nos formulários de checkpoint pontuados que já vêm no sistema, a pergunta de adesão pesa o dobro das demais; o resto do peso se distribui entre estado geral relatado — energia, fome e saciedade, sono, funcionamento intestinal — e as dificuldades que a pessoa marcou na semana.
Repare no que essa composição significa: quase tudo ali é autorrelato. O score não é uma medida do que aconteceu com o paciente, é uma medida do que ele conta sobre a própria semana, respondido em três minutos, quase sempre no celular.
| Entra na nota | Fica de fora |
|---|---|
| Adesão percebida ao plano | Peso medido por você |
| Energia, sono, fome, intestino relatados | Antropometria e composição |
| Dificuldades marcadas na semana | Exame e qualquer marcador clínico |
Isso não é defeito. É exatamente o dado que você não tem entre uma consulta e outra, e que nenhuma balança devolve. Vira defeito só quando alguém trata a nota como resultado — e aí a conversa com o paciente começa errada.
As três faixas e o tipo de conversa que cada uma pede
A classificação é fixa e a mesma em todas as telas:
| Nota | Selo |
|---|---|
| 7 ou mais | Alto (verde) |
| de 5 a 6,9 | Médio (amarelo) |
| abaixo de 5 | Baixo (vermelho) |
A faixa não diz o que prescrever. Ela diz que tipo de conversa aquela semana pede, e o prazo em que a conversa precisa acontecer.
Alto. O plano está em ritmo. A conduta é reforço, e reforço específico: cite o que a pessoa escreveu, não “parabéns, continue assim”. Duas linhas resolvem. O erro clássico aqui é não responder quem vai bem — quem vai bem e nunca ouve nada de volta também para de responder, só demora mais.
Médio. Alguma coisa está atritando e ainda dá para descobrir o quê com uma pergunta. A pergunta precisa ser específica: “qual refeição foi a mais difícil nesta semana?” devolve informação; “o que aconteceu?” devolve “foi corrida”. Nota média por duas ou três semanas seguidas costuma ser um item do plano que nunca teve chance de acontecer na rotina real.
Baixo. Não espere a próxima sexta-feira. A nota abaixo de 5 já sinaliza que a semana desandou inteira, e o intervalo até o próximo envio é justamente onde a decisão de parar se forma. Um contato curto, no mesmo dia ou no dia seguinte, com uma pergunta que se responde em uma palavra.
A leitura que vale mais é a direção, não o valor
Nota isolada não tem com o que ser comparada. Um 6 depois de dois 3 é recuperação e merece reforço. O mesmo 6 depois de dois 9 é o começo de um problema e merece telefonema. O número é idêntico; a conduta é oposta.
É por isso que a série vale mais que a leitura. O gráfico de score desenha as faixas como bandas coloridas ao fundo — Bom (7–10), Médio (5–7) e Baixo — justamente para você enxergar de longe em que altura a linha está passeando, e o Score Médio do período aparece ao lado com o mesmo selo. O período abre em 90 dias e aceita 30 dias, 6 meses, 1 ano ou tudo. Como ler cada bloco está em gráficos de evolução e comparação entre períodos.
Quatro formatos de curva cobrem quase todos os casos:
| Formato | O que costuma significar |
|---|---|
| Alta e estável | Acompanhamento funcionando; hora de falar de continuidade |
| Queda por três leituras seguidas | Contexto mudou e o plano não acompanhou |
| Serrote, alternando alto e baixo | Rotina irregular, não falta de vontade |
| Série que simplesmente para | Silêncio, que é o sinal mais forte de todos |
A terceira linha merece atenção porque é a mais mal interpretada. Paciente que faz 8, 4, 8, 3 não é indisciplinado: ele tem duas semanas diferentes se alternando — escala de trabalho, semana com filho, quinzena de plantão. O ajuste que funciona nesse caso não é apertar o plano, é ter uma versão dele para a semana ruim.
A quarta linha nem chega a ser leitura de gráfico: quando a curva para, o assunto virou ausência de resposta, e é a aba de alertas que faz essa triagem — inclusive a queda contínua, que ela sinaliza a partir de três leituras pontuadas caindo em sequência.
Quando o cartão não mostra nota nenhuma
Vale saber antes de montar o primeiro acompanhamento, porque é a decepção mais comum da tela: nem toda resposta gera score.
O cálculo só acontece quando o formulário tem perguntas com pontuação configurada. E hoje isso existe em um lugar só — nos formulários de checkpoint do sistema, aqueles que aparecem com o sufixo (Template) na hora de criar o agendamento. Um formulário que você monta no construtor, pergunta por pergunta, não gera nota. Nem mesmo quando você começa a partir de um dos modelos prontos: eles preenchem as perguntas, não a pontuação.
Existe ainda um segundo interruptor: Habilitar pontuação, no modal de agendamento, vem ligado e pode ser desligado. Desligado, o acompanhamento continua funcionando normalmente — você só perde a leitura rápida e aquele ponto na curva.
Perder a nota não é perder o check-in. As respostas continuam ali, pergunta por pergunta, e o campo aberto costuma ser a parte mais informativa de qualquer formulário. O que você perde é a capacidade de ordenar vinte pacientes por gravidade em dez segundos, que é exatamente o que a nota compra.
O que a série entrega na consulta de retorno
Sem registro do intervalo, a consulta começa em “e aí, como foi esse mês?” — e a resposta cobre os últimos três dias, filtrada pelo que o paciente acha que você quer ouvir.
Com quatro leituras, ela começa em outro lugar. O bloco de comparação entre períodos devolve, lado a lado, Score Médio, Peso (kg), Total de Respostas e Adesão (resp/semana) de um ciclo contra o anterior — sendo o Período A sempre o mais recente e o Período B a referência. Uma ressalva prática: compare intervalos de tamanho parecido, porque a adesão divide pelo número de dias e um período longo devolve número baixo mesmo com o paciente respondendo tudo.
O relatório em PDF da aba de evolução resolve as duas situações em que isso vira material: anexar ao prontuário no fim de um ciclo e mostrar na tela, no retorno, para alguém que não lembra de onde saiu. É o mesmo raciocínio de manter registro do que acontece entre as consultas, agora com a série pronta em vez de reconstruída de memória.
A regra de três perguntas antes de reagir a uma nota
Antes de mudar qualquer coisa por causa de um número, responda nesta ordem:
- Quantas leituras eu tenho? Com uma, você não tem série — tem uma impressão com um número na frente.
- Para onde elas estão indo? A direção decide se a conduta é reforço, pergunta ou telefonema.
- O que mudou na vida dessa pessoa na semana da queda? Essa é a única das três que o painel não responde, e é quase sempre a que explica o resto.
Se as três respostas apontarem para o mesmo lugar, a decisão já está tomada. Se a terceira contradisser as duas primeiras, confie nela: o paciente sabe da semana dele mais do que qualquer média ponderada.
Perguntas frequentes
O que o score do check-in mede?
Ele mede adesão declarada e estado geral relatado — quanto a pessoa conseguiu seguir o plano, como estiveram energia, fome e sono, e quais dificuldades apareceram na semana. É uma média ponderada das perguntas pontuáveis do formulário, numa escala de 0 a 10. Não mede resultado clínico, não substitui avaliação e não sabe se a semana foi boa de verdade: sabe o que o paciente respondeu sobre ela.
O que significa um score alto, médio ou baixo?
São as três faixas de classificação da nota: 7 ou mais é alto, de 5 a 6,9 é médio e abaixo de 5 é baixo. A faixa serve para triagem rápida, não para conduta automática. Alto costuma indicar plano em ritmo e pede um reforço curto; médio aponta um atrito específico que vale perguntar; baixo indica que alguma coisa desandou e pede contato antes do próximo envio.
Um score baixo isolado é motivo para mudar o plano?
Não por si só. Uma leitura ruim pode ser viagem, semana de provas, luto ou uma gripe — contexto que some sozinho na semana seguinte. O que justifica revisar a prescrição é a repetição: duas ou três leituras baixas seguidas, ou uma queda contínua a partir de um patamar bom. Antes de mexer em qualquer coisa, vale gastar uma pergunta descobrindo o que aconteceu naquela semana específica.
Por que a tendência do score importa mais que o número?
Porque a nota isolada não tem referência. Um 6 depois de dois 3 é recuperação; o mesmo 6 depois de dois 9 é o começo de um problema. A série mostra direção, e direção é o que permite agir antes do abandono. Três leituras caindo em sequência é o padrão que mais merece um telefonema, mesmo quando nenhuma delas chegou à faixa vermelha.
Por que a resposta do meu paciente veio sem score?
Porque o cálculo depende de o formulário ter perguntas com pontuação configurada. Formulário montado no construtor, campo por campo, não gera nota — inclusive quando você parte de um dos modelos prontos de checkpoint. Quem já vem pontuado são os formulários de checkpoint do sistema, identificados pelo sufixo Template na lista de agendamento. Desligar Habilitar pontuação no agendamento também tira a nota.
O score serve para mostrar ao paciente?
Serve, com cuidado. Ele funciona bem como espelho de processo, do tipo "nas últimas quatro semanas a sua nota subiu de 5 para 8", e funciona muito mal como nota de comportamento. Se a pessoa entender que está sendo avaliada, ela passa a responder o que rende nota boa e o dado morre. Mostre a série como informação do acompanhamento, nunca como boletim.
Com que frequência devo olhar os scores dos meus pacientes?
Uma vez por semana resolve. Os envios automáticos saem na sexta-feira às 8h e as respostas chegam ao longo do fim de semana, então segunda de manhã é quando a fila está inteira. Olhar todo dia não muda conduta nenhuma e transforma acompanhamento em vigilância. O que muda conduta é a leitura em bloco, com a série de cada paciente à vista de uma vez.
O que fazer quando o score sobe mas o peso não muda?
Você tem duas informações que não se contradizem: a pessoa está seguindo o combinado e o resultado ainda não apareceu no indicador escolhido. Isso é conversa de expectativa, não de disciplina, e é o momento de olhar os outros marcadores do caso antes de mexer em qualquer coisa. Adesão alta com resultado parado é um problema bem melhor de resolver do que o contrário.
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