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Como falar de preço sem gaguejar

O roteiro da conversa de preço: quando dizer o valor, a frase de três partes, a pausa depois do número e o que responder às três objeções mais comuns.

A pergunta chega sempre no mesmo tom, um pouco mais baixo que o resto da conversa: “e quanto custa?”. E a resposta, na maior parte das vezes, sai mais ou menos assim: “olha, a consulta é duzentos e cinquenta, mas assim, é porque já inclui o retorno, e eu passo bastante tempo montando o plano, e se ficar apertado a gente vê”.

Três coisas aconteceram nessa frase. Você justificou antes de ser questionada, sinalizou que o preço é discutível e ofereceu desconto para alguém que não tinha pedido. A pessoa nem chegou a reagir.

O número não é o problema. O problema é tudo o que vem grudado nele.

O que a pessoa ouve

O que você diz O que ela ouve
A consulta é R$ 250. esse é o preço
Normalmente eu cobro R$ 250. hoje pode ser outro
Fica em torno de R$ 250. dá para ser menos
São R$ 250, mas dá para parcelar. dá para negociar
R$ 250, tá caro? por favor, diga que não

Nenhuma dessas variações tem a ver com convicção clínica. São hábitos de fala que aparecem quando o número não foi decidido antes da conversa — e você tenta decidir de novo no meio da frase, com uma pessoa olhando.

A hora certa: depois de entender, antes de detalhar

Preço dito cedo demais é comparado com o preço da colega, porque não existe mais nada na mesa para comparar. Preço dito tarde demais chega depois de você já ter descrito o plano inteiro, e aí a pessoa sai com o raciocínio de graça e a sensação de que talvez consiga resolver sozinha.

A sequência da conversa

  1. Escute o caso inteiro

    Deixe a pessoa contar o que a trouxe e o que ela já tentou, sem interromper para corrigir informação errada.

  2. Devolva o que você entendeu

    Duas frases, no vocabulário dela. É aqui que a pessoa decide se você entendeu o problema — e é isso que ela está comprando.

  3. Nomeie o caminho, sem abrir

    Diga o tipo de acompanhamento que o caso pede e por quanto tempo. Não entregue o plano nesta etapa.

  4. Diga o valor e o que inclui

    Duas frases: valor, escopo, ponto final.

  5. Fique em silêncio

    Alguns segundos. A pessoa está fazendo conta na cabeça e precisa desse tempo.

No WhatsApp a ordem muda, porque a primeira mensagem quase sempre é “oi, quanto é a consulta?”. Quem pergunta o preço de saída merece o preço de saída. Responder com “posso te fazer duas perguntinhas antes?” soa como técnica de venda e queima a conversa. Mande o valor, uma linha do que inclui e uma pergunta que puxa o caso: “A consulta é R$ 250 e inclui a avaliação, o plano alimentar e um retorno em 30 dias. Me conta o que você está querendo resolver?”. Você entende a situação do mesmo jeito, com o preço já fora do caminho.

A frase de três partes

Valor. O que inclui. Ponto final.

“A consulta é R$ 250. Inclui a avaliação completa, o plano alimentar e um retorno em 30 dias.”

O que não entra nessa frase: “mas”, “só que”, “é porque”, “eu sei que não está barato”, “é o valor que eu consigo fazer”. Cada uma dessas emendas transfere para a outra pessoa a informação de que você mesma acha o número alto.

Escreva a sua frase com as palavras exatas que você vai usar e diga em voz alta dez vezes antes de usá-la com um paciente. A gagueira é falta de ensaio, não falta de convicção — ninguém gagueja dizendo o próprio telefone.

A pausa depois do número

Depois de dizer o valor, cale a boca.

O silêncio parece longo para quem falou e curto para quem ouviu. Três ou quatro segundos são suficientes para a pessoa fazer a conta mental que ela precisa fazer, e é justamente nesse intervalo que a maioria das nutricionistas estraga a própria proposta: enche o vazio com uma condição especial que ninguém pediu.

Quem preenche o silêncio preenche com desconto. Deixe a pessoa falar primeiro.

“Está caro”

Caro é uma comparação, e você não sabe com o quê. Pode ser com a colega do bairro, com o valor que ela imaginou antes de perguntar ou com o boleto que vence amanhã. Antes de mexer em qualquer coisa, descubra: “Caro em relação ao que você esperava?”.

A resposta cai em um de dois casos.

A pessoa não entendeu o que está levando. O problema é escopo, não preço. Volte ao que inclui: duração, quantos encontros, o que acontece entre uma consulta e outra, o que ela sai tendo em mãos.

A pessoa entendeu e não tem o dinheiro agora. O problema é orçamento, e desconto não resolve orçamento. Vinte e cinco reais a menos não mudam a vida de quem não tem os duzentos e cinquenta.

A regra que fecha os dois casos: mude o produto, não o preço. Consulta online no lugar da presencial, intervalo maior entre retornos, pacote parcelado. O valor da consulta continua sendo o valor da consulta.

“Vou pensar”

Costuma ser verdade e costuma ser o fim, porque quase ninguém volta sozinho. Não discuta e não pergunte em que ela vai pensar.

Faça o próximo passo existir, com data: “Claro. Vou te mandar hoje o resumo do que a gente conversou e dois horários da semana que vem. Se até sexta não fizer sentido, me avisa que eu libero o horário.”

Isso faz três coisas de uma vez: devolve o controle para a pessoa, coloca uma data no calendário e põe o nome dela na sua lista de retorno. Voltar a falar com quem quase fechou é a captação mais barata que existe, e é o buraco por onde escoa a maior parte dos pacientes de quem tem perfil que cresce e agenda que não enche.

“Meu plano cobre?”

Regra geral no Brasil: atendimento nutricional em consultório particular costuma funcionar por reembolso, não por atendimento direto do convênio. A pessoa paga, você emite recibo com nome, CRN e CPF, e ela solicita o reembolso ao plano dela. Se existe reembolso, quanto é e quantas sessões entram por ano depende do contrato dela, não do seu.

Por isso a resposta honesta é curta: “Eu atendo particular e emito recibo. Muitos planos reembolsam parte do valor, e quem confirma quanto é o seu plano.”

Não prometa percentual, não estime valor e não se ofereça para negociar com a operadora. Reembolso prometido que não chega vira cobrança na segunda consulta, e é uma das poucas frustrações capazes de encerrar um acompanhamento que estava indo bem.

O desconto improvisado, com a conta na mesa

Desconto não sai do preço. Sai inteiro da margem.

Suponha uma consulta de R$ 250 num consultório cujo ponto de equilíbrio por atendimento é R$ 200 — o método para chegar nesse número está em quanto cobrar por uma consulta de nutrição. Sobram R$ 50 por consulta. Com 40 consultas no mês, R$ 2.000 de margem.

Cenário (exemplo) Margem no mês
40 consultas sem desconto R$ 2.000
10% para 1 em cada 3 R$ 1.675
10% para todo mundo R$ 1.000

Tem um efeito de segunda ordem, também: quem fechou com desconto improvisado é exatamente quem vai pedir de novo no retorno. Você não deu um desconto, você mudou o preço daquela pessoa para sempre.

O que oferecer quando você quiser mesmo ceder

Ceder é legítimo. Ceder improvisando é que não. Quatro concessões que não mexem no valor da consulta:

  • Prazo. Parcelar em duas ou três vezes custa fluxo de caixa, não margem.
  • Formato. Online no lugar do presencial, quando o caso permite. Costuma custar menos para você também.
  • Escopo. Pacote com mais encontros e valor menor por encontro, que compra previsibilidade em troca do desconto (como montar pacote).
  • Horário. Uma condição para aquele horário morto da sua semana que ninguém quer.

A regra: toda concessão precisa estar decidida por escrito antes da conversa, ter contrapartida e ter validade. Desconto que existe no papel é política comercial. Desconto inventado na hora é medo com outro nome.

Ajuda muito ter consulta e pacotes cadastrados com valor fixo no sistema em que você registra as vendas: quando o valor já está lá antes de a conversa começar, sobra menos espaço para improviso (cadastrar produto).

Três coisas escritas antes da próxima consulta

  1. A sua frase de preço, com as palavras exatas.
  2. As duas concessões que você aceita fazer, com contrapartida e prazo.
  3. A resposta pronta para “meu plano cobre?”.

O que trava na conversa de preço não é falar o número. É tentar decidir o número no meio da frase. Decida antes, escreva, ensaie em voz alta — e na hora, só leia.

Perguntas frequentes

Qual é a hora certa de falar o preço na consulta?

Depois de entender o caso e antes de descrever o plano em detalhe. Se o valor vem antes de você entender qualquer coisa, ele é comparado com o preço da colega. Se vem depois de você explicar tudo o que faria, a pessoa já recebeu o raciocínio de graça e fica com a sensação de que pode resolver sozinha.

O que responder quando o paciente diz que está caro?

Antes de mexer no preço, descubra caro em relação a quê, perguntando exatamente isso. Se a pessoa não entendeu o que está levando, o problema é escopo e a solução é reapresentar o que inclui. Se ela entendeu e não tem o dinheiro agora, o problema é orçamento, e desconto não resolve orçamento. A regra é mudar o produto, não o preço.

Devo dar desconto para fechar a consulta?

Desconto sai inteiro da margem, não do preço. Num exemplo com consulta de R$ 250 e ponto de equilíbrio de R$ 200, tirar dez por cento do valor tira metade do que sobra. Desconto só faz sentido quando foi decidido por escrito antes da conversa, tem contrapartida clara e tem prazo de validade. Improvisado no meio da frase, é medo com outro nome.

Devo mandar o preço pelo WhatsApp ou chamar para conversar?

Mande o preço. Quem pergunta o valor na primeira mensagem merece o valor na primeira resposta, e responder com "posso te fazer umas perguntas antes?" soa como técnica de venda e queima a conversa. Envie o valor, uma linha do que inclui e uma pergunta sobre o caso. Você entende a situação com o preço já fora do caminho.

O plano de saúde cobre consulta com nutricionista?

Como regra geral no Brasil, o consultório particular funciona por reembolso e não por atendimento direto pelo convênio: a pessoa paga, você emite recibo com nome, CRN e CPF, e ela solicita o reembolso ao plano. Se existe reembolso, quanto é e quantas sessões entram depende do contrato dela. Informe isso sem prometer percentual nenhum.

Como responder quando o paciente diz que vai pensar?

Sem discutir e sem perguntar em que ele vai pensar. Torne o próximo passo concreto e com data: diga que vai enviar o resumo do que foi conversado e dois horários, e que se até determinado dia não fizer sentido, ele avise para você liberar a agenda. Isso devolve o controle, marca uma data e coloca a pessoa na sua lista de retorno.

Preciso justificar o meu preço para o paciente?

Só se for perguntado. Justificativa antes da pergunta sinaliza que você mesma acha o valor alto e abre a negociação sem que ninguém tenha pedido. A frase completa tem valor, escopo e ponto final. Se vier a pergunta, aí sim explique o que está incluído, quanto dura o acompanhamento e o que a pessoa leva.

Como cobrar de amigos e familiares?

Definindo uma política única antes de a primeira pessoa perguntar, por exemplo uma cortesia por ano ou um valor fixo para família direta, e aplicando igual para todo mundo. Decidir caso a caso gera comparação, constrangimento e a sensação, em quem pagou integral, de ter pagado a mais. Política escrita evita a conversa; improviso cria três.

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Perguntas frequentes

Vale a pena para nutricionista aceitar convênio?Como saber, na anamnese, se o plano vai caber na rotina do paciente?Qual a diferença entre formulário de pré-consulta e de anamnese?Quantas vezes devo repetir cada medida?O paciente registra o próprio peso no portal do SimpleNutri?O paciente recebe aviso quando eu clico em Entregar Cardápio?

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